Não, não temos juízo. Também não temos eira nem beira. O que nos limita é a vida, ou a morte. Pois mortais, que somos, esperamos um pouco mais de brilho em vida. Não, não que sejamos iluminados. Não o somos. Não somos também melhores que os outros. Muito pelo contrários: piores, até, em certo sentido. Agora, ninguém nos tira o gostinho, nem que seja de uma réstia de luz, de uma réstia de paz, de um brilho interior que nos incendeia, morno, cálido, sereno, túmido até. E dessa loucura esparramada, intentamos o brilho, um pequeno fulgor incandescente que contamine as gentes. Assim nos fazemos, no dia a dia, nas horas de trabalho em que ganhamos a vida, altaneiros, confiantes de que ali, aqui, acolá... a poesia virá. Não por sermos os escolhidos, não por sermos especiais, talvez por um brilho no olho que, mais que isso, nos faz colhidos. E, nessa colheita, é preciso estender as mãos. Pra isso o sentido de multidão, mesmo que pequena. Do pouco que somos a certeza de sermos muitos, ou, pelo ...