quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A maior-idade do POA Em Cena*

Out of context, quem enxerga à distância não entende: assim como A lua vem da Ásia, Os credores chegam dos mais recônditos lugares. Inebriados pela Flauta mágica, esgueiram-se Dentro da noite, pelas frestas das ruas até chegar à Usina. Uns, menores de 30, com a noite virada do Music-hall, outros, maiores, com o Dia desmanchado, madrugado. Todos com o mesmo objetivo... A cara de sono de uns e de outros não esconde um certo brilho no olhar de quem se acha e quer ser vanguarda. E o são. Buscam ser os primeiros, pois, conhecendo A vida como ela é, sabem que, nesse caso, os últimos — decididamente — não serão os escolhidos, ou melhor, não serão os que poderão escolher. E o maior acerto se faz ainda na madrugada, pois, domingo, aniversário da Legalidade (50 anos), dia de Gre-nal, chimarrão à mão, é hora de buscar o melhor lugar (já não mais no Labirinto da fila, e sim na plateia, que o verdadeiro espetáculo será logo ali adiante, dias depois, quando o esforço será 'n' vezes recompensado, tal qual o número de espetáculos escolhido. Se um ou outro decepcionar, ao menos uma história pra contar. E são tantos... nacionais, internacionais, locais...

E na fila, o que mais se sucedem são histórias. Histórias de amor líquido, das Viúvas, A história do homem que ouve Mozart e da moça do lado que escuta o homem, O amor de Clotilde por um certo Leandro Dantas... Um verdadeiro Cordel do amor sem fim... Quem foi já sabe, quem ainda não, quando for, saberá. Se não for... Mesmo com a venda disponibilizada por outros meios — internet, telentrega, descentralizada —, nada supera a sensação de participar de um coletivo gerador de amizades, de novas possibilidades e, por que não?, de Hotel Fuck.

Começada a venda de ingressos, a morosidade denuncia a compra anarquicamente planejada, a paciência dos atendentes – reserva do lugar, esclarecimento da disposição interna das salas de espetáculos, ’aceita cartão ou não?’ — e, na saída, uma tripa de ingressos nas mãos. Não, não são cambistas, talvez passistas em busca do Micróbio do samba, talvez a solidariedade na dor da espera tenha amenizado o que, para muitos, tenha sido a Chegada de Lampião no inferno. Nada que os momentos catárticos de uma vaia jocosa e orquestrada não resolva, excluindo-se, é claro, o Pequeno inventário de impropriedades dirigido aos Pterodátilos, por se demorarem um pouco mais na escolha (nem tudo é educação e Amar nessa vida!). Mas, afinal, não estamos em Wonderland, e, além do mais, Ninguém falou que seria fácil.

Mesmo tolhidos um pouco pelo bolso (neste ano os ingressos subiram de preço!), sempre há espaço para uma compra de última hora, uma dica de alguém que sopra um ‘este é imperdível’ no ar. Enfim, tudo acaba em festa, apesar de algum Dolor exquisito no corpo... O caldo de cultura garante que, no próximo ano, vários dos que ali estão, como um bando, estarão lá de novo, juntamente com mais outros: A mulher sem pecado, os Dois perdidos numa noite suja, A dama indigna, O fantástico reparador de feridas, Ella (Nomeolvides), A tecelã, Mujeres, Mônicas, Ditos e malditos...

No fim, a sensação de ser A cãofusão, uma aventura legal pra cachorro, enquanto, no alto da Chaminé, se ouve um Blackbird a repetir ‘evermore, evermore’... E tudo isso no Meu quintal!

Parabéns, Porto Alegre Em Cena, 18 aninhos que botam no bolso muito sessentão!


* Em período de abertura do 15º Santiago em Cena, divulgo o texto feito por mim relativo à maioridade (18ª. Edição) do Porto Alegre em Cena. O texto utiliza-se de vários nomes de espetáculos presentes na edição do Evento.

É uma satisfação saber do début da versão santiaguense. Merda a todos!


Breno Serafini
http://www.brenoserafini.com.br

Porto Alegre/RS



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