quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Coisas do passado

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Quando tecnologias são ultrapassadas, condenamos o que é obsoleto à extinção. O Blu-Ray tem se popularizado e, com facilidade, fazemos download gratuito de filmes pela internet. Os sons automotivos deixaram de lado os CD e DVD e passaram a adotar a entrada USB. O resto é antiguidade. Em casa, basta conectar o computador a caixas de som potentes e as músicas serão tocadas diretamente do PC. No passado, era necessário gravar um CD de mp3 para ouvir e, antes ainda, um CD de áudio. Para não se falar das fitas K7, do disco de vinil e dos rádios a pilha, relíquias que servem para exposição.

Além disso, a evolução fantástica dos computadores substituiu os trambolhos volumosos por máquinas mais compactas e potentes: dos computadores de mesa para os notebooks, netbooks, palmtops e tablets. Lembra-se dos mimeógrafos? Grande parte das escolas deixou de utilizá-los e passou a adotar o projetor multimídia como ferramenta auxiliar de trabalho.

Mesmo com essa gama de novidades eletroeletrônicas, os equipamentos antigos resistirão ao tempo. E quem aposta na sobrevivência, apenas, das novas tecnologias, demonstra uma visão muito parcial da realidade. Não conhece o mundo ao seu redor ou, então, não faz questão alguma de sair do seu sofá elitista e olhar para os lados.

Essas evoluções, muito bem-vindas por sinal, chegaram e facilitaram a vida. Deixaram as ações mais dinâmicas. Podemos conectar-nos ao Orkut e Twitter pelo celular ou achar qualquer ponto numa cidade desconhecida com facilidade através do GPS. Contudo, as inovações tecnológicas não são acessíveis a todos, porque boa parcela da população recebe um salário que mal paga o alimento. Terão condições de adquirir um bem desses? Não há boas perspectivas para isso.

Na crônica “Escrever à mão” de 17 de julho, no Caderno Donna, do jornal Zero Hora, a colunista Martha Medeiros sentenciou que, em breve, ninguém mais usará cadernos, e sim, tablets. Canetas, lápis e apontadores serão artigos de museu e, possivelmente, substituiremos os livros impressos pelos e-books.

Acreditar que toda a população terá condições de comprar um tablet para usar como caderno é ter uma visão muito simplista. É ilusão das grandes crer que as escolas evoluirão ao ponto de excluírem os cadernos e adotarem, apenas, as mídias digitais. Quem sabe daqui a mil anos... Eu gostaria muito que essa integração com as tecnologias ocorresse nas escolas nessa intensidade, porque já há muito tempo deveria ser realidade, mas estamos muito aquém do que fantasiou a cronista.

É impossível imaginar uma escola de última geração se há poucos professores capacitados para trabalhar com computadores e afins e os recursos financeiros mínimos previstos na constituição nem sempre são cumpridos pelas autoridades. Apresenta-se improvável o amplo uso das tecnologias, pois os problemas da educação são vários, as soluções, complexas e devem ocorrer em conjunto com os demais setores. E não é da noite para o dia que se chega a um resultado positivo. Depende de políticas públicas que, dentre outros fatores, diminuam as desigualdades sociais.

É fácil se enclausurar numa redoma de vidro, num mundinho perfeito, bem parecido com o nosso. Porque a pobreza é algo feio de se ver e sentir. Muito mais conveniente crer que todos comprarão tablets quando o preço baixar de atuais R$ 900,00 (os modelos mais baratos) para R$ 200,00. Acreditar nisso é ser como o protagonista Jimmy, do filme “Jimmy Bolha”, que, por ter o sistema imunológico debilitado, vivia numa bolha de plástico, sem contato com os ares impuros da realidade. De lá, imaginava e vivia o seu mundo de acordo com o que supunha ser o real.

Não é inusitado ver alguém ouvindo música ou jogo de futebol em radinhos a pilha. Nas escolas, o mimeógrafo já deveria ter caído em desuso há vários anos, mas permanece sendo utilizado, concomitante à fotocopiadora e ao projetor. Se eu fosse apostar na longevidade do mimeógrafo ou na disseminação dos tablets nas escolas, não teria dúvidas em apontar a prevalência do primeiro. É uma triste constatação, mas é real.

Giovani Roehrs Gelati
http://giovanigelati.blogspot.com
grgletras@gmail.com
Uruguaiana, RS





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Folha do Livro 011: Oficinas temáticas movimentam a 57ª Feira do Livro de Porto Alegre

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sábado, 20 de agosto de 2011

Palavras e Ondas (20 de agosto)

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Sintonize 87,9, rádio Central FM, a partir das 14h.

Você poderá ouvir o programa pela internet, clicando AQUI.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Hipocrisia

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Cubra teu passado de sonhos indiscretos
Nos refugios repletos
De sombras tangíveis

Moa todos os pedaços
Todos os retratos
Todas as lembranças

Esqueça todas as ofensas
Dessa infâmia imensa
Que te prende aqui

Não faça que repercuta
Nada da boca desses teus recrutas
Desses teus escravos

Contente toda essa gente
Com sede de tudo
Água, mar e dilúvio na ilha da existência

Camilla Cruz
http://spleen-e-charutos.blogspot.com
camillcruz@gmail.com
Santiago, RS



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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

CONVITE - No Reino Das Crianças Felizes

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A DIREÇÃO da Escola Municipal Dom Antônio Reis, de Santa Maria-RS convida Vossa Senhoria para o lançamento do livro “No Reino das Crianças Felizes”, historinha construída coletivamente pelo escritor Auri Antônio Sudati, pela professora Loiva Teresinha Passos Marques e pelos alunos do 5° ano desta escola, através do Projeto “O Escritor e as Crianças, Caminhos para a Criatividade”, desenvolvido no 1° semestre de 2011.

Local: recinto da Escola Municipal
Dom Antônio Reis
Rua Isidoro Grassi, 636 Bairro
Medianeira Santa Maria-RS
Fone: 3026.9655
Data: 20 de agosto de 2011, sábado
Horário: 9 horas

O lançamento do livro “No Reino das Crianças Felizes” marcará a culminância das atividades relativas à “Semana Literária Bordando Palavras” que ocorrerá nesta escola, de 15 a 20 de agosto, 2011.
Contamos com sua presença!

Profª Renilda Brum Genro
- Diretora da Escola Municipal
Dom Antônio Reis –

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Convite - Concerto Aberto

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Caro(a) amigo(a),

O Clube de Música Amigos de Beethoven tem a grata satisfação de convidar o(a) amigo(a) e família para o Concerto Aberto que estará ocorrendo no dia 20/08 próximo, em parceria com o Cine Clio.
Nesta data, o CMAB estará completando 31 anos.
Conforme convite em anexo, serão duas sessões (às 17:00 e às 19:00), uma voltada para o público infantil (mas servindo para todas as idades!), e outra para os adultos.
O Cine Clio fica junto à Estação do Conhecimento, na antiga Estação Férrea.
A entrada é franca, e todos são bem vindos.
Em função da pouca disponibilidade de assentos, é interessante confirmar a presença, para evitarmos transtornos.
Aguardamos ansiosamente a sua confirmação.
Um grande e musical abraço!

Carlos Max Andres
Presidente do CMAB/2011

Gado chimarrão

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* Ao meu irmão Vanderlei Machado

O gado veio da Espanha
De além-mar ao Paraguai
(Entrou no Rio Grande antigo
Pelas águas do Uruguai)

Foi Cristóvão de Orelhana
Que trouxe as provisões
Pra alimentar os nativos
Mantidos nas Reduções

(O campo se fez pastagem
Semente fecundou o chão/
O Pampa se fez estância
Para o gado chimarrão)

Os padres quando vieram
Trouxeram o gado e o grão
Se um índio ouvisse um berro
Pensava em assombração

E o gado trouxe o gaúcho
Que veio para domá-lo
E se fizeram parceiros
Gaúcho, gado e cavalo

Clodinei Silveira Machado
silveiraselva@ibest.com.br
Santo Ângelo, RS



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Ciclo das águas

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Do teu saco escrotal
A minha pia batismal
Do útero de minha mãe
A minha matricial
Desse enlace (im)perfeito
Nasceu a minha forma
Original.
Hoje meu filho,
Água do mesmo cheiro,
Reinaugura o ciclo.
Deságuo nele.
Filho pai avô.
Filho do pai
Pai do filho
Avô do neto
(que ainda não veio).

Breno Serafini
http://www.brenoserafini.com.br
Porto Alegre/RS



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domingo, 14 de agosto de 2011

Desejo

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Nessa noite fria desejamos apenas o vazio da solidão
Caminhando na escuridão nos libertamos de tudo que nos enfrenta e corrompe
Suplicamos uns aos outros as respostas para nossos questionamentos
Abominamos a sua presença em nossos pensamentos
Desejamos a paz do sofrimento e a agonia de um desencanto
Não nos inebriamos com sua luz ofuscante
Desacreditamos em você nesse instante
Desprezando seu amor inconstante
Abdicamos de sua ajuda para apenas viver em colapso.

Nara Bachinski
narinha-bachinski@hotmail.com
Mata, RS


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Sem você

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Dias de inverno sem você aqui
Parece que as horas não passam
Meu corpo frio como o gelo
Implora por teu amor
Mas não ouço respostas
O silêncio da noite faz minha solidão aumentar
Olho para todos os lados e não vejo nenhuma saída
Minha única e dolorosa opção é esperar por dias melhores.

Eduarda Garcia Ferreira
dudaferreira234@hotmail.com
Capão do Cipó, RS



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sábado, 13 de agosto de 2011

Palavras e Ondas (13 de agosto)

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Sintonize 87,9, rádio Central FM, a partir das 14h.

Você poderá ouvir o programa pela internet, clicando AQUI.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Confissões de um falecido

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Não tenho mais forças para manter as aparências que mantive durante uma vida toda. Meus ossos doem com a atuação e os calos aparecem como se fossem mentiras saindo de minha pele. Eu tive que me privar de ser quem sempre quis para tentar ser feliz. Pobre de mim... Acabei por me privar da própria felicidade, sem ao menos notar que acabei sozinho. Um gesto programado, um sorriso ensaiado, uma frase já pensada. Foi tudo que me ensinaram a fazer em defesa de meus defeitos. No entanto, no final, não percebi que cometia o pior deles: a falsidade. Não me contento em ver nos espelhos o reflexo de um ator, alguém criado durante anos e anos de prática. O personagem que mora em mim quer dominar a minha alma. Deturpar minhas opiniões. Expulsar os meus demônios. Esconder o meu íntimo. Roubar o meu caráter... ou o que ainda dele sobrou. E mais triste que a tristeza quehabita meu interior é a pena que sinto de mim mesmo. Fui um qualquer. Não destruí convenções, não deteriorei dogmas, não quebrei tabus. Por isso, sou em vão, sem razão de existência. Vivi para saber que não vivi. E agora morro para saber que sempre estive morto. Nada nunca esteve entre meus dedos moles. Laços familiares feitos de rachaduras. Pó de infinitas amizades espalhado pelo vento... Ao léu, como minha passagem por aqui. Assim como não deixei lembranças, também não deixei heranças. E graças dê a humanidade por eu não ter passado adiante os vagabundos ensinamentos sobre os quais sobrevivi. Na realidade, não sobrevivi. Agora, em frente de meu túmulo sujo e não-visitado, tive chance de respirar pela primeira vez como nunca fizera antes. Se eu soubesse que se pode sentir o ar entrando nos pulmões enquanto espíritos, eu desejaria ter morrido sem precisar nascer. Mas daí não seria uma dádiva, já que teria desde cedo conhecido a felicidade. Mesmo estando sob gramas, terra e nenhuma flor, pude finalmente degustar de meus sonhos não realizados. Como espírito, sou autêntico. Odeio quem odeio e amo quem amo. Como espírito, sou espontâneo. Digo o que surge nos pensamentos sem dúvidas ou medos inconseqüentes. Como espírito, sou natural. Dissimulações e maquiagens foram vetadas de minha experiência. Mas como espírito, sobretudo, sou sozinho, já que os outros mortos não existem e os vivos não me notam. Se pensa que é uma contradição ser tudo sem poder mostrá-lo a ninguém, está enganado. Mostro ao próprio nada que sou, que agora sou tudo. E rio diante de meu túmulo: sou feliz. E sorrio diante de minha lápide: sou único. Até a hora em que vejo o meu epitáfio, tosco e apagado, onde ironicamente grafadas encontro as letras que me transformam em carne decomposta: “Aqui jaz um homem eterno”.

Ettore Stefani de Medeiros
http://ettorestefani.blogspot.com
Santa Maria, RS



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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

34º Cafezinho Poético

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DATA: 13 de agosto de 2011, sábado.

HORÁRIO: 17h.

LOCAL: sede da Casa do Poeta de Santiago, rua Silveira Martins, 1432, Santiago, RS (próximo ao Mercado Camelo).

Aberto ao público. Participe!!!

Folha do Livro 10: Inscrições para A Hora do Educador começam dia 15 de agosto

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Amando o ilegal

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Desculpe-me por te dizer
Que me apaixonei por outra pessoa.
Alguém que gosta de ilegalidades,
Que se diverte com violências.
Mas foi amor, como aquele que senti por você.

Você se tornou minha segurança
E isso não me foi saudável:
Eu nasci para cheirar à perigo.
Em suas mãos eu encontrei afeto,
Porém eu me interesso pelo sofrimento.

Desculpe-me por te dizer
Que beijei outros lábios.
Lábios Sanguinários,
Menos confiáveis que os seus,
Só que tão apetecedores
Que me deram a boa vontade de matar.

Ainda que todos procurem segurança,
Essa que você tão bem sabe dar,
Eu prefiro o risco e a dor.
Eles me fazem sentir o novo
Num tom de poder supremo,
De um jeito que só posso dizer sim.

Desculpe-me por te dizer
Que estive com alguém melhor que você.
Foi inevitável como adorei o pecado,
Como foi fácil liberar minhas obscuridades.
Eu troquei tudo que recebi
Por horas inigualáveis de prazer e alucinação.

Parti e te deixei com meu puritanismo:
Só, sem entender como pude trocar.
Trocar o confortável pelo instável.
Pelo maluco, pelo delicioso, pelo orgasmo.
Desculpe-me por te dizer
Que te usei para saber como seria desejar o errado.
Que te usei para saber como seria me libertar.

Ettore Stefani de Medeiros
http://ettorestefani.blogspot.com
Santa Maria, RS



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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Texto de Breno Serafini publicado no Correio da APPOA

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O texto 'A literatura como menta e mento na sociedade', originalmente escrito para o Fórum de Literatura ocorrido em Santiago, RS. Ele pode ser encontrado na seção Debates, p. 61, do Correio nº 204 - ago/11 - Jornada do Percurso em Psicanálise de Crianças, com acesso ao sumario pelo endereco http://www.appoa.com.br/correio.php?sec=3.

"Bebida é água! Comida é pasto!
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?...
A gente não quer só comida.
A gente quer comida diversão e arte
A gente não quer só comida. A gente quer saída
Para qualquer parte..."
Trecho de Comida (Titãs)

Ao falar de literatura, falar de arte, falo de coisas que mexem com as pessoas, que fazem parte do cotidiano. Sim, porque a arte está em toda parte. Até os engenheiros, quando se referem a viadutos, por exemplo, referem-se a “obras de arte”. Por aí se vê o quanto o ser humano participa e interage com formas criativas e únicas que dão um colorido à existência.
Das pinturas ruprestes ao mais último projeto de design, o homem sempre correu atrás do não básico, do não essencial e, por isso mesmo, comprovadamente básico, vital. Por isso a música dos Titãs: o homem, mesmo que não saiba, não se contenta só com comida; quer mais, diversão, balet. Ouso dizer que, sem expressão artística, não seríamos nada, explodiríamos, até. Quem até hoje não se deliciou com uma paisagem, ou com a reprodução da mesma, com uma música, com um livro, com um filme, com uma animação ou com uma escultura?
As várias formas de arte estão tão amalgamadas ao nosso cotidiano que nem percebemos que aquilo ali é arte da mais especializada, rigorosa até, às vezes. Nesse caso, poderíamos incluir a publicidade, os livros didáticos etc.
Tudo que o homem põe a mão vira arte (artesanato, artesania etc.). Nesse caso, poderíamos considerá-la o bálsamo, a menta que refresca nossos dias. Mas, além disso, o engenho é que são elas. A verdadeira criação pressupõe engenho. Talvez por isso Camões tenha falado em “engenho e arte”; mais ou menos como a diferença básica entre poema e poesia.
A poesia pode estar em todas as coisas, já um poema é uma forma que até pode se fazer em poesia. Um raio de sol pousado na página em branco pode ser poesia pura, já reproduzir em palavras escritas essa imagem, pra que fique iluminada a página aos olhos (e mente) do leitor, só com muita engenhosidade. E essa engenhosidade na maioria das vezes requer muito trabalho, muito além da inspiração, transpiração. João Cabral que o diga.
Assim, além da questão da inspiração, do trabalho, temos a engenhosidade da arte. E quem são esses engenheiros da composição? Poetas, seresteiros, namorados, correi... Segundo Ezra Pound, são a “antena da raça”. Aqueles que fazem arte (ou poesia) na sua versão mais desenvolvida, mais especializada. Estes, por seu turno, nem sempre sabem se o fazem por escolha ou missão. Muitos escolheram a palavra, outros foram colhidos e/ ou tragados por ela.
Assim, muitos escritores, e vamos somente nos atermos agora aos artistas da palavra, com seu telencéfalo altamente desenvolvido e seu polegar opositor, mas, mais que isso, com a sua engenhosidade e criatividade, conseguem criar mundos paralelos que nos deliciam e nos fazem refletir sobre a nossa própria realidade. Sim, sabemos que a realidade supera a ficção, mas esta nos ajuda a refletir sobre aquela; é o seu reflexo, mesmo que distorcido, portanto passível de “verossimilhança”.
Como homenagem aos nossos irmãos de língua espanhola, tomo dois textos que servem exemplarmente ao que me refiro. Num deles, a partir da simples contagem de uma roleta de metrô, da diferença do número dos que saem para os que
entram, portanto tendo como base a matemática, descortina-se todo um universo de possibilidades de uma estrutura social subterrânea, para refletir sobre a humanidade (como no filme Subway, de Luc Besson). Noutro, a partir de um grande engarrafamento, que dura dias, é construído um microcosmo em que aparecem as sutilezas nem sempre positivas da natureza humana, principalmente em sua condição gregária. E isso sem o catastrofismo de um 1984, ou Admirável Mundo Novo, ou Fahrenheit 451, ou Laranja Mecânica, etc. O autor de que vos falo, vários já devem ter percebido, é Cortázar, com seus contos A rodovia do sul e pequeno conto de uma caderneta. Numa linguagem apurada, a narrativa nos envolve e nos faz refletir sobre a condição daqueles personagens, portanto sobre nós mesmos.
Poucos conseguem, com essa magnitude, construir, a partir de uma cena ou situação banal, uma constelação de figuras que, em sua luz própria nem sempre escolhe o caminho mais ético (ou moral), revelando nossa condição (animal).
Assim, dessa forma, aqueles conseguem criar, com inventividade, emocionando os leitores e fazendo-os refletir sobre o que leem, para chegarem a isso em muito se recolheram ao claustro da criação. Do lado brasileiro, só para citar alguns, lembro-me de Rubem Fonseca, que, em seu conto Relato de ocorrência..., faz uma síntese (brutalizada) da raça humana; outro, este o maior de todos, Machado de Assis, que fez a mais sintética fotografia da transição do Império à República brasileiros, mediada pelo sintoma escravidão (de que é exemplo Pai contra mãe), ou na crítica ao positivismo da época, como em O alienista. Não fosse a língua (portuguesa) a atrapalhar, Machado seria maior ainda.
Nesse sentido, o termo antena da raça é extremamente apropriado: aqueles que conseguem sobreviver – ou sua obra – ao tempo, ou mesmo que só foram reconhecidos tardiamente – ou postumamente – muito dedicaram de suas vidas à criação. Como disse Vinícius de Moraes, “a poesia foi para mim uma mulher cruel em cujos braços me abandonei sem remissão, sem sequer pedir perdão a todas as mulheres que por ela abandonei”.
Esses, podemos dizer, ao criarem, expuseram-se de tal forma que suas vísceras ficaram à mostra, os urubus no entorno, buscando os designos – o que lembra os antigos, que buscavam, nas entranhas dos pássaros, o futuro. Dessa forma, surgia o vate, o vaticínio. O poeta (e o escritor) mira no que viu e acerta no que não viu. Nem sempre cabe a ele a decodificação de toda a extensão de sua obra. Mas a entrega a ela geralmente é inexorável.
A palavra cobra caro a sua missão. Nesse sentido, os escritores (e os artistas de modo geral), ao exporem a sua sensibilidade revelam a sua própria fragilidade, fragilidade humana, por certo, mas, mais do que nunca, subjetiva, visceral. Aqueles que conseguem, com suas penas – e aí o duplo sentido se impõe – fazer a pena do outro, são mais que fingidores, são criadores, portanto, senão antenas, pelo menos para-raios de sua raça. Nesse sentido, põem a cara para bater, em nome da (sua) humanidade, esta sim, na maioria das vezes, um fio-terra.
É nessa confluência entre o frescor da vida (menta) e a missão, botando a cara para bater (mento), nem sempre desejada ou explícita, que a literatura (ou a arte) oferece como vítima o autor (ou artista). Ele, mais do que ninguém, sabe o quanto é humano, demasiadamente humano. Assim, como os deuses gregos, é só reflexo do que acontece à sua volta, céu estilhaçado, sem garantias de redenção: títere sem titereiro que cria outras formas também imperfeitas, portanto humanas... numa circularidade elíptica que vai juntando vida e arte, arte e vida ad infinitum.
Por último, gostaria de refletir sobre a adaptação de um texto do dramaturgo alemão Tankred Dorst, o monólogo Ich Feuerbach, ao qual tive o privilégio de assistir, em atuação do multipremiado ator gaúcho Leverdógil de Freitas, precocemente falecido. Na peça, que trata de um ator desempregado à procura de trabalho, o narrador relata que, quando menino, ao ver uma representação teatral em praça pública, maravilhado, perguntou à mãe quanto se pagava para subir ao palco, tendo a mesma respondido que não custava nada, que o público era que pagava para assistir ao espetáculo. Anos depois – continuava relatando ele –, tendo escolhido a vida de ator, descobriria muito tarde que pagaria ao teatro com a vida.

Breno Serafini é revisor de língua portuguesa da Fundação de Economia e Estatística (FEE) e doutorando em Letras pela UFRGS.

Dia da enfermeira

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Corrida Duque de Caxias - convite

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A 1ª Brigada de Cavalaria Mecanizada e o 19º Grupo de Artilharia de Campanha convida a toda comunidade em geral para participar da corrida Duque de Caxias a ser realizada no dia 21 de agosto de 2011 na praça Moisés Viana, prova infantil: 2 Km às 09:15h, feminino: 5 Km às 10:00h e masculino: 8 Km às 10:00h, inscrições de 06 a 18 de agosto de 2011 gratuitas pelo site local: www.19gac.eb.mil.br e no circulo Militar de Santiago, premiação: Medalhas e troféus, haverá no local da prova um posto de coleta de alimentos para a campanha do quilo, Participe!

Aconselho-te

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Controla tua língua venenosa,
Presta atenção em teus verbos impróprios,
Honra teu caráter e criação,
Não digas o que não é sabido.
Acorda da época da ganância.

Nesse mundo pérfido da competição, sedução e podridão,
As etiquetas são dadas indevidamente a quem não se conhece.
Há uma descrição tua nos lábios dos outros,
Frases que te definem porcamente,
Baseadas em burbúrios, falsidades, inseguranças e mentiras.

Aqui, pessoas não são almas:
São obstáculos a serem ultrapassados.
Há uma lógica imatura e violenta,
Capturadora da decência, humanidade...
Não resta mais nada além do hedonismo e egoísmo.

A sede pela posse é intensa.
A busca pela boa imagem, eterna.
O oportunismo virou rotina.
O interesse, costumeiro.
Onde está a requintada classe de outrora?

O que resta a nós, pois?
Adaptar a pequena flor ao aterro.
Transformar os arredores em limpos.
Resta construir o sucesso com justiça,
Longe das sujeiras contaminadoras.

Cansa-te deste ciclo hediondo.
Muda-te para teu próprio universo.
Cria e mantém teus elaborados valores.
Cala teus segredos e desejos.
Vive só na paz do bom caminho.

Ettore Stefani de Medeiros
http://ettorestefani.blogspot.com
Santa Maria, RS



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terça-feira, 9 de agosto de 2011

O brilho das nazarenas

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Brilhavam as nazarenas
Naquele taura pilchado
Que eu vi entrar no fandango
De chapéu, de faca e mango
E um jeitão de debochado

O porteiro pacholento
Nem se importou com o taita
Então veio a autoridade
Do patrão da entidade
Mandando parar a gaita

Retirou o cuera do baile
Pediu que ele fosse embora
Pois nesse fervor de gente
Não se aceita um vivente
Querendo dançar de espora

As normas do MTG
São claras e respeitadas
Tradição, arte e cultura
Quem achar que é grossura
Que vá dançar nas baladas

Os costumes de outros pagos
A tradição não adota
Modismos cheios de balda
Brinco e lenço à meia espalda
E bombacha encima da bota

O meu Rio Grande do Sul
Conserva a sua identidade
Recebeu o imigrante
Mas, ensinou num instante
A ser gaúcho de verdade

Clodinei Silveira Machado
silveiraselva@ibest.com.br
Santo Ângelo, RS



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Escritor falecido é homenageado

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O poeta santiaguense Cácio Machado será homenageado nesta sexta-feira, durante solenidade que acontecerá no auditório do Colégio Medianeira. Às 20h, serão diplomados os vencedores do Concurso Literário Brasileiro Memorial Cácio Machado, sendo que após a cerimônia haverá o lançamento do livro póstumo "Olhares na Ventania".

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Palavras e Ondas (06 de agosto)

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No programa deste sábado entrevistaremos a Professora Tânia Brum, que esteve em intercâmbio cultural no Canadá (Toronto), e retornou recentemente. Ela leciona Literatura Inglesa e também abordará esse tema.

O pessoal do Rotaract também irá participar para divulgar o risoto que estarão promovendo dia 07/08 e demais atividades a serem desenvolvidas no mês de agosto.

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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Destino Morto

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Meses passaram-se;
Lembro de meu último amor,
No qual senti tanto afago, sinceridade
E tão profunda paixão,
Como neste “amor” acabado
Deveras senti.

Tu foste minha paixão mais ardente;
Minha insônia mais insana;
Minha nostalgia mais dolorida.
Foram teus os meus beijos,
Minha vida.

Perdoe-me por não fazer-te feliz,
Meu impossível foi dado a ti,
Pela tua felicidade, teu amor.
Perdoe-me por não tirar de teu coração
O vazio implantado pelo “destino”,
E assombrado pela dor.

Sigamos nós caminhos separados,
Para que no nosso julgo
Não sejas obrigada a fingir.
Parta agora, vá a teu destino descobrir
Alguém que realmente te faça feliz.

Daniel Augusto Mott Martins
http://art-alone.blogspot.com
daniel.mott6@gmail.com
Santiago, RS



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Adaptação

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Pensando num jeito de amar você
Num jeito solto, sutil e belo
Num jeito simples, carente, sincero
Que seja capaz de te merecer.

Pensando num jeito de te escrever
Com palavras leves, livres, singelas
Com amorosas lembranças daquelas
Que marcam profundo nosso viver.

Pensando num jeito de confessar
E gritar ao mundo este crime
Que mudo irrita em choro sublime

A chama ardente a em mim queimar,
Fazendo que de fronte me atire
E ainda morto continue a me torturar.

Victor Araújo
Linhares, ES



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Uma certa Araci

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Eles se conheceram em Hamburgo, na Alemanha, às vésperas da Segunda Guerra Mundial.

Ele, menino pobre, viu na carreira diplomática uma maneira de conhecer o mundo.

Em 1934, prestou o concurso para o Itamaraty e foi ser cônsul adjunto na Alemanha.

Ela, paranaense, foi morar com uma tia na Alemanha, após a sua separação matrimonial.

Por dominar o idioma alemão, o inglês e o francês, fácil lhe foi conseguir uma nomeação para o consulado brasileiro em Hamburgo.

Acabou sendo encarregada da seção de vistos.

No ano de 1938, entrou em vigor, no Brasil, a célebre circular secreta 1.127, que restringia a entrada de judeus no país.

É aí que se revela o coração humanitário de Aracy.

Ela resolveu ignorar a circular que proibia a concessão de vistos a judeus.

Por sua conta e risco, à revelia das ordens do Itamaraty, continuou a preparar os processos de vistos a judeus.

Como despachava com o cônsul geral, ela colocava os vistos entre a papelada para as assinaturas.

Quantas vidas terá salvo das garras nazistas? Quantos descendentes de judeus andarão pelo nosso país, na atualidade, desconhecedores de que devem sua vida a essa extraordinária mulher?

Cônsul adjunto à época, seu futuro segundo marido, João Guimarães Rosa, não era responsável pelos vistos.

Mas sabia o que ela fazia e a apoiava.

Em Israel, no Museu do Holocausto, há uma placa em homenagem a essa excepcional brasileira.

Fica no bosque que tem o nome de Jardim dos justos entre as nações.

O nome dela consta da relação de 18 diplomatas que ajudaram a salvar judeus, durante a Segunda Guerra.

Aracy de Carvalho Guimarães Rosa é a única mulher.

Mas seu denodo, sua coragem não pararam aí.

Na vigência do infausto AI 5, já no Brasil, numa reunião de intelectuais e artistas, ela soube que um compositor era procurado pela ditadura militar.

Naquele ano de 1968, ela deu abrigo durante dois meses ao cantor e compositor que conseguiu, sem ser molestado, fugir para país vizinho.

Ela o escondeu no escritório de seu apartamento. Aquele mesmo local onde seu marido, João Guimarães Rosa, escrevera tanta história de coronel e jagunço.

Durante todos aqueles dias, o abrigado observava, da janela, a movimentação frenética do exército no quartel do Forte de Copacabana.

Reservada, Aracy enviuvou em 1967 e jamais voltou a se casar. Recusou-se a viver da glória de ter sido a mulher de um dos maiores escritores de todos os tempos.

Em verdade, ela tem suas próprias realizações para celebrar.

Hoje[2007], aos 99 anos, pouco se recorda desse passado, cheio de coragem, aventura, determinação, romance, literatura e solidariedade.

Mas a sua história, os seus feitos merecem ser lidos por todos, ensinados nas escolas.

Nossas crianças, os cidadãos do Brasil necessitam de tais modelos para os dias que vivemos.

Seu marido a imortalizou em sua obra Grande sertão: veredas. Ao publicar a obra, não a dedicou a ela, doou a ela seu livro mais importante.

Aracy desafiou o nazismo, o Estado Novo de Getúlio Vargas e a ditadura militar dos anos 60.

Uma mulher que merece nossas homenagens. Uma brasileira de valor. Uma verdadeira cidadã do mundo.

Magaldi Alves Rebés
magaldi.rebes@terra.com.br
Porto Alegre, RS



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A criança em cada um

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As crianças são especiais. Não as considere gente, mas pequeninos anjos que Deus criou e que um dia deixam essa sua condição de especiais e crescem. Continuam maravilhosas, permanecem encantadoras, mas não são mais crianças. Tornam-se adolescentes, ou aborrecentes, como muitos as chamam durante essa intempestiva fase da vida. Amadurecem, são consideradas adultas, conquistam os seus objetivos, seus ideais (ou não) e envelhecem. Idosas, passam a compor uma parcela pouco valorizada da sociedade, mas muito importante, seja pela sua contribuição ou pela sabedoria que carregam consigo que só a experiência de vida pode proporcionar.

Mas falávamos em crianças, nos inocentes que serão os adultos do futuro. Quem não se encanta ao ver um toquinho de gente todo entrouxado pelo frio, o narizinho vermelho, as bochechas rubras com o corpinho todo encolhido? Aquele andar natural e o rosto tão suave que mal parecem verdadeiros.

Anos atrás poderíamos dizer que eram pimpolhos que se vestiam sem preocupação alguma com a estética, apenas interessados em bonecas e carrinhos. Hoje esse quadro modificou-se um pouco. Vemos meninos e meninas arrumadinhos como gente grande. Parte por vontade dos pais, que querem que seus primogênitos reflitam tudo aquilo que creem ser belo. Parte pela influência da televisão, internet e pelas conversas com seus amiguinhos. Anseiam pelas roupas mais atuais, tênis e sapatinhos de marca, na ideia de que ficarão mais bonitas assim.

Pois não precisam de nenhum artifício para serem lindas. O ar da inocência de uma criança já conquista um adulto e amolece um duro coração.

A criança é aquele ser inconveniente, às vezes, porque não sabe o que ocorre a sua volta e ninguém explica. A irmã mais velha que está no telefone namorando com o colega de aula e que não quer explicar com quem conversa. “Mana, tá falando com quem no telefone? Com ninguém, Matheus. Como não, mana, tô vendo. Quem é? Matheus, vai lá na sala que a mana já vai daqui a pouco, tá?” Mesmo não convencido, o pequeno curioso abandona o quarto e deixa-a sossegada no seu canto.

Pode ser, também, um delator. Porque, geralmente, o que fala é sincero. Os pais conversam e a campainha toca. Pedrinho, vê lá quem é. É a tia chata que veio pro almoço. E sempre chega nessa hora! A criança escuta o comentário dos pais, volta antes que lhe digam algo e dirige-se à indesejada. “Você veio pro almoço, né? Só vem na hora do almoço, né?” E já chega a mãe, atordoada com as palavras do filhote. Haja saliva para desfazer o mal entendido. Ou melhor, pra desfazer o bem entendido.

O acesso irrestrito aos novos meios de comunicação e a toda a gama de possibilidades que estes fornecem, modificou alguns aspectos do desenvolvimento cognitivo das crianças. A informação passou a ser mais fácil de ser encontrada. Assim como jogos educativos tridimensionais e interativos que aguçam o pensamento infantil. E lado a lado com os benefícios, os conteúdos impróprios a menores também são de uma facilidade enorme de serem acessados. Os efeitos disso são minimizados com os bloqueadores de conteúdo, onde um pai pode controlar o que seu filho acessa e dessa forma orienta-o melhor na sua navegação, assim como proibir a entrada em sites indesejáveis. O que não impede que o proibido em um lar também seja na casa do coleguinha, onde não há tanto controle nem acompanhamento paterno. E aí o problema reside em mostrar o que pode, o que não pode, independente de proibição. Além disso, sempre é bom fiscalizar as atitudes dos pequenos, ser um amigo sempre que possível, interando-se do que fazem e pensam.

Dois anos da morte de Michael Jackson, completados no dia 25 de junho, lembramos de uma figura ícone no cenário musical. Não é por nada que ele construiu um parque de diversão onde morava, o Neverland, a Terra do Nunca. Ser criança é o que há de melhor. Sem preocupações, nem contas para pagar ou metas a atingir. Ah, como era bom ser criança, sem responsabilidade nenhuma. Não é isso que por vezes suspiramos e aspiramos? Hoje é fácil dizer que é fácil ser criança. Mas quando éramos, não era, não. Com pouco conhecimento de mundo, queríamos saber de tudo, porque tudo era novo. Não era, diferentemente do que hoje pensamos, fácil ser criança.

Era puro, sim, ser criança. Era inocente ser criança. Era natural ser criança. Era bom, muito bom. Mas agora também é bom ser adulto. Se era bom não ter responsabilidades e poder brincar o dia todo, hoje é bom poder sair, conhecer novas cidades e pessoas, agir livremente, sem tanto controle quanto na infância.

Michael era excêntrico, dependente químico, endividado, suposto pedófilo, mas um excepcional artista. Neverland era um capricho, muito dinheiro investido para pouca gente aproveitar. Mas uma prova de que a infância que residiu em nós nunca se apaga. O anjo que éramos já não é mais o mesmo, mas ainda persiste em nosso interior. Não possuímos mais a cândida inocência da infância, nem a birra interminável dos 13 anos. Desfrutamos o prazer da maturidade aliada à experiência, com gotas de muita expectativa e sonhos a serem realizados. Mas, de certo modo, nunca crescemos por completo.

Giovani Roehrs Gelati
http://giovanigelati.blogspot.com
grgletras@gmail.com
Uruguaiana, RS





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19º Grupo de Artilharia de Campanha - Concurso Literário

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Dentro da programação das comemorações do centenário do 19º GAC, o Grupo "Barão de Batovy" está realizando o Concurso Literário com o tema "19º GAC 100 anos de história e tradição", inscrições de 1ª de agosto a 23 de setembro de 2011, local: 19º GAC, categorias: alunos do ensino fundamental, ensino médio e cabos e soldados do 19º GAC, premiação notebooks e bolsas de estudo da Wizard e Sinapse, as melhores redações serão reunidas em uma coletânia e lançadas na feira do livro de Santiago 2011.

Mais informações: www.19gac.eb.mil.br.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Placa de homenagem ao Caio Fernando Abreu

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Queridos amigos,

A AACF ficou meio parada no primeiro semestre, pois, a venda da Casa do CaioF nos pegou de surpresa, e não sabíamos exatamente como dar continuidade ao projeto.

Em Porto Alegre a família que comprou a Casa se disponibilizou, junto com a Prefeitura, a colocar uma placa na entrada para homenagear o escritor.

A blogueira gaúcha Andreia Beregaray, que deu inicio a campanha Salve a Casa do Caio em 2010, esta organizando uma votação no seu blog para escolher qual é a frase mais adequeada. acessem: http://andreatpm.blogspot.com e busquem no canto direito da página o campo para votação.

Contamos com a participação e divulgação de vocês.

Grande abraço,

Liana Farias
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