segunda-feira, 30 de maio de 2011

Decifra-me ou te devoro

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Perdemos tanto tempo com coisas inúteis na vida... O mais sério é que na maioria das vezes que estamos ocupando nossas forças em algo que não valerá mais que alguns “por que eu fiz isto?”, temos uma sensação que acompanha o agir, dizendo ao pé do ouvido: não faça, não faça. Mas, é óbvio, não seguimos a razão e o coração assume a direção. Vá tomar um banho gelado, faça a barba, escove os dentes, faça algo diferente que lhe desvie da vontade de fazer o inútil.

Para ilustrar essas reflexões, baseio minha crônica na história que um amigo relatou-me, profundamente cabisbaixo. Sua namorada disse-lhe, certa feita, nessas palavras “Tento decifrar, entender certas coisas, mas é esforço em vão...”. Isso o fez carregar consigo por dias um ponto de interrogação debaixo do braço. Ele supunha o que a garota queria dizer, mas não botava fé que realmente fosse.

A garota escreveu-lhe, ainda, um bilhetinho e entregou após os dois saírem de um jantar:


É como um filme de suspense ou policial onde tem as pistas e temos que juntar para decifrar o crime, quem é o assassino.

Geralmente sou boa nisso, mas tenho que admitir que dessa vez a emoção não dá espaço para o raciocínio e é difícil compreender as pistas.


Nem implorando ela falou-lhe o que significava. Ele que dissesse o que entendia. Quanta mística naquilo tudo! Decorreram mais alguns dias e o relacionamento estava acabado. O motivo? O mistério que ela tanto falava eram os relacionamentos paralelos que ele tinha enquanto se dizia apaixonado por ela. Descobrira em mensagens de celular que o esperto do meu amigo deixara. Além de cafajeste era burro! Mas tudo bem, teve o que merecia...

O público feminino que me odeie, mas entro em defesa desse meu amigo. Ao menos quanto ao que sentia por ela. O resto não entra na análise: foi mais que errado, uma demonstração de fraqueza moral, de covardia em não dizer a ela que queria uma relação mais aberta, menos envolvente que um namoro. Quanto à defesa, digo que ele realmente gostava dela. Talvez não houvesse dito que a amasse ainda porque o relacionamento deles era recente ou porque fazia pouco que terminara outro, longo e de fim também amargo. Sei que ele sentia por ela muito mais que apenas amizade, mas seus atos negativos não refletiram, definitivamente, isso.

Ele estava querendo a liberdade (ou libertinagem) que não tivera no outro namoro. Saía de um e engatava em outro. Não era de acordo com seus planos, mas era melhor do que poderia imaginar. Porque aquela garota que escreveu o bilhete era alguém que certamente ele não veria duas vezes na vida. Porque ela acertava tanto com os seus pensamentos que chegava, por vezes, a grau de espanto mútuo. Você só pode ter copiado isso de mim. Nem sabia.

Ele estava querendo a liberdade e não tivera aquele momento mínimo de sinceridade com a garota. Não quero envolver-me agora contigo. A Medusa que se tornara a sua amiga, ficante e depois namorada, tinha poderes muito além dos seus.

Estava, de fato, investindo as suas energias inutilmente. Esgotava-as com outras mulheres, que não lhe preenchiam por dentro. Imprimia todas as forças na falsa sensação de bacanal, que aos dezessete anos também tivera, onde a quantia de mulheres era superiormente mais importante que a qualidade.

Mas tudo isso são conjecturas. Ele não me disse nada depois que mostrou o bilhete manchado de lágrimas e repetiu a frase enigmática da já ex-namorada. E chorou em meu ombro. Estava fraco agora. Gastara as forças onde não devia.


Giovani Roehrs Gelati
http://giovanigelati.blogspot.com
grgletras@gmail.com
Uruguaiana, RS



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Palestra na URI sobre Caio Fernando Abreu

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O Museu das Comunicações convida para a palestra “Caio Fernando Abreu e os Modos de Subjetivação Contemporâneos”.

Data: 31/05/11

Horário: 19:30 horas

Local: Salão de Atos da Universidade

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Um cara chato

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o passado
deu um oizinho hoje pela manhã
dei tchau
mas ele encontrou-me novamente.
que cara chato.
que nunca vai embora.
que jamais irá.

Destaque na categoria Poesia no 3º Concurso Literário Farroupilha 2011

Giovani Roehrs Gelati
http://giovanigelati.blogspot.com
grgletras@gmail.com
Uruguaiana, RS



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Caio

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Caio a teus pés
Caio de quatro
Caio no choro
Caio na dança
Caio lutando
Caio em riste
Caio a vapor
Caio de boca
Cai o pano
Caio F.
Caio é Foda!

Breno Serafini
http://www.brenoserafini.com.br
Porto Alegre/RS

E-mail recebido de Paulo Delevati

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Como santiaguense que sou, quero parabenizar a iniciativa destes poetas e apoiadores componentes desta diretoria.
Ainda, na condição de primo do Presidente, dizer que me sinto honrado em saber que integrantes de nossa família estão
desenvolvendo algo em benefício da cultura, pois, somente assim, as coisas vão acontecer.
Que Deus ilumine os passos de todos.
Um abraço a toda a diretoria e especialmente ao primo Giovane e família.

Paulo Delevati - Bagé

Por ti

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Por ti sou capaz de tudo.
Quero que sejas, do mundo,
o homem mais amado,
o mais feliz e realizado!

Por tua felicidade,
se possível fosse, roubaria estrelas,
para dar a teu olhar mais brilho;
o arco-íris compraria,
com todas as suas cores,
para colorir teus momentos tristes.

Para encher tua vida de alegria,
em lindas flores me transformaria
e, com aromas raros,
teu corpo impregnaria,
dar-te-ia todos os prazeres,
teus desejos todos, satisfaria.

Por teu amor faço até asneiras,
não m'importo de fazer besteiras,
se for pra te causar alegria,
se for pra te fazer feliz!

Antonia Nery Vanti (Vyrena)
http://sonhandocomvyrena.eu5.org
vyrena@terra.com.br
Porto Alegre/RS



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quinta-feira, 19 de maio de 2011

Participe da II Semana Literária

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Clique nas imagens para ampliar.

II Semana Literária de Santiago ocorrerá em junho!

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A II SEMANA LITERÁRIA DE SANTIAGO ocorrerá nos dias 9 a 11 de junho de 2011, na Câmara dos Vereadores de Santiago. O evento não possui fins lucrativos, sendo que a inscrição custará apenas R$ 15,00 (quinze reais), para custos administrativos, e fornecerá um certificado de 25 (vinte e cinco) horas.

Na atividade cultural ocorrerá a posse da nova diretoria, cujo Presidente é o escritor Márcio Brasil.

O evento é organizado em parceria com a Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC) e com o Projeto Santiago do Boqueirão: seus poetas quem são?.

O evento contará, a princípio, com o apoio de quatro universidades URI, ULBRA, UNOPAR e UNINTER, que fornecerão palestrantes para dissertar sobre um tema dentro do assunto geral da semana "A LITERATURA CONTEMPORÂNEA E A CIDADE EDUCADORA".

Na semana ocorrerá, também, o lançamento de livros e exposições orais de escritores que lançaram livro pela Casa. Também será executada a palestra para crianças do ensino fundamental, difundindo o valor da literatura.

O "carro chefe" da II SEMANA LITERÁRIA será o módulo de estudos literários, onde dois escritores serão estudados:

CAIO FERNANDO ABREU - Palestrante: Sra. Zaira Bianchini - "Um pouco do Caio Fernando Abreu"

ORACY DORNELLES - Palestrante: escritora Fátima Friedriczweski - "Literariedade, idiossincrasias e perenidade na obra poética de Oracy Dornelles".


Como se inscrever?
As vagas são limitadas (90 vagas). Reserve a sua pelo e-mail: gpasini@ig.com.br
As inscrições poderão ser feitas até o dia 7 de junho de 2011 (enquanto houver vagas) nos seguintes locais:
- Departamento de Cultura - Estação do Conhecimento - antiga Estação Ferroviária de Santiago (falar com Rodrigo Neres).
- Casa do Poeta de Santiago - Rua Silveira Martins, 1432, Centro (Próximo ao Mercado Camelo) - das 8h30min às 11h30min (com Luciara Acosta).

Participe e divulgue!

Parceiros no evento: Casa do Poeta de Santiago, Secretaria Municipal de Educação e Cultura e Projeto Santiago do Boqueirão: seus poetas quem são?
Apoiadores (ordem alfabética): Caixa Econômica Federal, Câmara dos Vereadores, Expresso Ilustrado, Padaria e Confeitaria Fronteira, Ponto Cópias, Prefeitura Municipal de Santiago, Rádio Central FM 87,9, Rotaract Club Terra dos Poetas, ULBRA, UNINTER, UNOPAR e URI.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Ulbra Santiago lança concurso "Poesia de Carona"

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Visto que Santiago recebe o nome “Terra dos Poetas” o Curso de Letras da Ulbra Polo Santiago, propõem lançar o Projeto “Poesia de Carona”, esse concurso que tem como proposta estimular a criação de poesias, voltada para estudantes do ensino superior, médio e fundamental de qualquer instituição de ensino além da comunidade em geral, bem como possibilitar que esse gênero literário esteja acessível a um número maior de pessoas.

Os interessados em participar do Concurso “Poesia de Carona ” poderão se inscrever com 02 (duas) poesias com tema livre. Os trabalhos enviados passarão por uma seleção que avaliará as propostas e realizará a escolha de 15 poesias. As produções escolhidas serão expostas no ônibus da cidade de Santiago, bem como em outros pontos específicos a serem definidos posteriormente.

OBJETIVOS:
- Possibilitar que a comunidade tenha contato, diário, com o texto poético, visto que somos denominados “Terra dos poetas”;
- Sensibilizar estudantes do ensino fundamental, médio e superior, bem como, a comunidade em geral para a produção/criação e leitura de poesia;
- Diversificar as experiências de escrita de modo a desenvolver a sensibilidade estética e a imaginação;
- Selecionar 15 trabalhos entre todas as propostas enviadas buscando valorizar talentos;

REGULAMENTO
1. O concurso “Poesia de Carona ” ocorrerá entre os meses de maio e junho de 2011.
2. Podem se inscrever comunidade em geral, alunos do ensino fundamental, médio e de cursos de graduação de qualquer Instituição de Ensino;
3. Os interessados em participar poderão enviar ao concurso até 02 (duas) poesias;
4. Não há qualquer tema obrigatório para os poemas inscritos, não podendo, porém, ultrapassar a uma lauda digitada;
5. A inscrição efetua-se mediante preenchimento da ficha enviada ou entregue na Ulbra Polo Santiago até o dia 30.07.2011 com o respectivo poema.
6. Só serão consideradas válidas as inscrições dentro do prazo descrito anteriormente com a ficha de inscrição devidamente preenchida e com o envio do poema
7. Os trabalhos serão avaliados e selecionados pelos(as) alunos(as) do Curso de Letras da Ulbra Polo Santiago, que levará em conta:
a) a correção da escrita,
b) a riqueza de
c) conteúdo e a originalidade do tema e da linguagem;
8. As poesias selecionadas serão expostas nos ônibus que circulam na cidade de Santiago, e em locais a serem definidos posteriormente;
9. Sugere-se que os poemas selecionados para o projeto “Poesia de Carona”, integrem uma coletânea, junto com os outros poemas inscritos, para lançamento da Feira Municipal do Livro;
10. Ao se inscrever no concurso os participantes automaticamente concordam
com o que está apresentado neste documento;
11. O inscrito ao enviar sua produção declara para fins de direitos autorais que
é legítimo e único autor da poesia enviada e, posteriormente, será solicitado que assine uma Declaração de Direitos Autorais.

GRONOGRAMA:
25.05.2011 – Lançamento da Projeto Poesia de Carona;
25.05 a 30.06.2011- Período de inscrição;
01.07 a 15.07.2011 – Seleção das poesias;
- Divulgação dos resultados e fixação dos poemas nos ônibus ( momento poético);
A definir - Confecção do livro;
A definir - Lançamento Feira do Livro Municipal.

Escritores uruguaianenses são premiados em concurso literário

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Os escritores uruguaianenses Bruna Madril, Rosane Gelati e Giovani Gelati foram premiados no 3º Concurso Literário Farroupilha, promovido pela Insanity Produções, de Taquari – RS. Bruna ficou em 3º lugar na categoria Literatura Livre, com a crônica “Vidas Cruzadas”. Rosane e Giovani Gelati obtiveram posição de “Destaque”. Rosane participou com a crônica “Anônimas Glorinhas” na mesma categoria de Bruna. Pela categoria poesia, Giovani Gelati concorreu com “Um cara chato”.

O Concurso Literário Farroupilha ocorre anualmente no mês de maio e é organizado por Leonel Dutra Viana e Viviane Meireles.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Troque um Bolsonaro por 354 professores

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Quando decidi fazer o curso de Letras, definitivamente, não tive a aspiração de ser rico. Quiçá de viver bem, com um bom padrão de vida, pois o início da carreira de professor com graduação é um tanto doloroso. Os pouco mais de 500 reais mensais pelas 20 horas semanais de aula propostos pelos editais de muitos concursos a professor da rede municipal no Rio Grande do Sul não pagam a mensalidade de outrora da faculdade.

Onde está o retorno financeiro? Aparece apenas aos poucos que logram um curso de mestrado e ingressam na docência universitária. E olha que, ainda assim, não dá para esbanjar. A grande massa fica apenas com a graduação. Não por escolha, mas por que o bolso é pequeno e não há viabilidade para pagar um curso de maior duração e que, fatalmente, demande mais investimentos financeiros.

O que fazemos com os benditos mil reais para oito horas diárias de trabalho? Antes mesmo do aperfeiçoamento profissional, algumas contas brigam entre si para serem pagas. É aluguel, água, luz, condomínio, IPTU, telefone, rancho, os gastos com passagem (porque o meio de transporte é o ônibus, lógico), e outras despesas inevitáveis para a sobrevivência. Que professor terá condições de investir todo o pouco que resta do capital numa assinatura de revista que desequilibra o orçamento? Não esqueçamos que livros didáticos também não são nem um pouco baratos...

A assinatura anual da revista Nova Escola atinge a cifra de R$ 37,00. Uma revista, definitivamente, feita para os professores. Barata. Porque a National Geographic Brasil custa anualmente R$ 179,88. Aventuras na História, R$ 131,40.

E para assinar uma revista semanária como a Veja, os padrões do professorado indicam, visivelmente, que a solução é fazer um“racha” com os demais colegas da escola e deixar a revista exposta na sala dos professores. Leitura apenas nos intervalos ou após o término das aulas. Quem se interessar por algum assunto, tira uma fotocópia e lê com calma em casa. O valor anual da assinatura? R$ 462,78. Comprando a revista avulsa, o custo anual sobe para R$ 694,20. É um aumento percentual que seria muito bem-vindo no contracheque.

Isso me faz ter mais fé na teoria de que o professor foi moldado por Deus e trazido pela cegonha para viver em comunidade. Porque ele é alguém que não consegue viver sozinho. Necessita estar rodeado de alunos perguntando-lhe, sanando dúvidas, pedindo para ir ao banheiro, implorando para adiar a prova, querendo que a aula seja mais light. Esse ser, indubitavelmente, foi fabricado para viver em grupo. O professor necessita viver com outros, muitos outros seres semelhantes, porque senão, vai à falência.

É mentira que querem uma educação melhor. Gente culta não veste involuntariamente a camiseta de massa de manobra. Gente que consegue subir um pouco mais nos degraus escolares não aceita suborno de candidato a deputado ou vereador por necessidade orgânica de alimentar-se. Aceita por opção, pura falta de caráter.

Em contrapartida, deve-se fazer uma mea culpa: há graves erros na administração de escolas, no repasses de verbas, nos currículos escolares obsoletos, ultrapassados. E há formações familiares precárias que refletem em alunos de difícil relacionamento.

O Juremir Machado escreveu a crônica “Complicada complexidade”,dia 18 de abril, no jornal Correio do Povo, falando que problemas complexos não se resolvem com soluções simples, e sim, com soluções complexas. Seria leviano, realmente, dizer que melhorando o salário do professor o problema educacional estaria resolvido. Quem dera... O reajuste salarial não é a única solução, mas é por ele que as respostas devem passar.

Fica claro que o descaso do Estado com o ensino é motivado pela falta de resultados imediatos. Eles aparecem significativamente depois de anos. A verba que vai para escolas e professores não retorna num primeiro momento, no mesmo mandato. As mudanças são graduais, lentas e dependem do sucesso de todos os fatores.

Estou cada vez mais convicto de que a campanha “troque um deputado por 354 professores” é uma das máximas contemporâneas de maior relevância. Esse cálculo realizado e que circula pela internet contabiliza o salário “mixuruca” dos parlamentares, somado aos vale-passagem aérea, vale-assessor, vale-telefone, vale-tudo que o cargo proporciona, e dá conta dos vencimentos de 354 professores.

Li essa frase há certo tempo, numa corrente recebida por e-mail. Ela também apareceu, numa versão mais atualizada, entre estudantes das Etecs (Escolas Técnicas) e Fatecs (Faculdades de Tecnologia) de São Paulo, que protestaram por reajuste salarial nessa sexta-feira, 13 de maio. Sabiamente, dizia “troque um Bolsonaro por 354 professores”.Uma troca onde o custo-benefício compensa.


Giovani Roehrs Gelati
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Uruguaiana, RS



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Clichê piegas demais

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Ele a olhou fixamente, sem nenhum declínio, como uma águia a reparar sua presa , como um fotógrafo a reparar seu modelo, como um artista a reparar sua arte. Se houvesse piscado os olhos, não o percebi, esplêndido. Parecia que se passara mais de horas só olhando, admirando não sei, mas de forma penetrante, envolvente, e esboçando um sorriso meio torto no rosto.
Ela um pouco envergonhada, não sabia o porque de tanta perfeição em um olhar, como se houvessem milhões de “fleches” e luzes penetrantes e reluzentes na sua direção. Nada. Só os olhos meio acinzentados dele. Mas se envergonhara sim, com uma feição meio distorcida e um pouco vermelha. Não agüentou e como um reflexo de tanta demora num só olhar, perguntou:

- Minha maquiagem borrou ? O que repara tanto em mim quando me olha ?

Ele não respondeu, não precisava. De tão sublime o momento ele se tornara indecifrável, enigmático. Mas como sentia a necessidade de dar uma explicação a ela, desabafou:
- Só mais um segundo, por favor.
Passaram-se os 60 milésimos de segundo.
- Pronto.
-Pronto o que ? Não me venha agora com tanto ar de deboche.
- Quisera eu ser apenas deboche, mas acabei de perceber nesses poucos instantes, que estou completamente, irresistivelmente, inexoravelmente, inexplicavelmente, paradoxalmente, perfeitamente, apaixonado por você.

Ela de forma estagnada, riu, sem saber a motivo, e pensara, “como um ser humano poderia se apaixonar por um olhar ? Impossível.”

- Não me faça rir senhor, apaixonado é palavra muito forte para se usar nesses momentos. Acho que ambos exageramos um pouco no drink de antes. Acabo de perceber que não é muito saudável e nem muito sóbrio misturar um black label com um Ballantines.
- O que preciso fazer para lhe provar que a recíproca é verdadeira ?
- Não é necessário provar nada quando se sabe de fatos, não conteste os fatos senhor, por favor.
- Se não se preza a acreditar, não acredite. Afinal de contas, quem se encontra em uma situação embaraçosa, sou eu. Meio bem, meio mal, não sei. Apaixonado sim. É um fato. E longe de mim contestar os fatos, como você mesmo o diz.
- Posso rir agora ? Meu Deus, acabamos de nos conhecer...
- E é por isso que já estou indo embora, só vou pegar meu casaco e pagar a conta.
- Horas, como assim ? Se diz apaixonado e me larga em um balcão do bar do James? Shakespeare não faria dessa maneira.
- Quem sou eu para me comparar com gênios, então se incomoda com a situação de eu partir de forma leviana ?
- Não se gabe e nem seja prepotente por isso, foi só maneira de dizer.
- Maneiras de dizer a parte, me encantaram. Me gabar ? Nada, prepotente? Nem chego perto. Mas tenho que ir sim, pois, parece que meu santo é fraco e toda vez que me dou o direito de me apaixonar por alguém, minha cabeça foge da lógica e meu coração força a dizer : “toma, é seu, faz o que quiser com ele”, e fazem.
De tanto mau uso dele, que chega a me dar dó de mim mesmo. Apesar que por um segundo cheguei a pensar que poderia ser diferente dessa vez, uma exceção. Mas, quisera eu, o homem ser feito apenas de exceções. Me desculpe, me permita ir. E eu honestamente, preciso de um cigarro agora, você não faz idéia de quão nervoso estou, com os nervos a flor da pele, e o coração quase saltando para fora. Poderia sair correndo a mil por hora de vergonha, ou pular de um arranha-céus com medo da sua resposta.
Preciso,no mínimo, de um “malboro" nesse instante,nesse minuto. Rimas ou sem elas, se não for pedir muito, eu preciso de um cinzeiro também, por favor.

Ela estava perplexa, muda. Parecia que agora era ela quem o admirava. Não por sua beleza apenas, mas pelo o seu modo, fora do peculiar, de falar. Por sua honestidade e franqueza distintas e um sorriso, por mais que torto, que não deixava dúvidas. Estaria ela apaixonada também ? Não., Isso pareceria meio filme de romance, um mero encontro ao acaso, uma coincidência fatal, ou a bobeira de um destino ludibrie. Não. Clichê piegas demais.

- Eu lhe peço que não vá, me dê ao menos, a oportunidade de conversarmos um pouco mais, esclarecer as dúvidas, colocar os pontos nos “is”. Estou de mãos atadas, não posso deixar você vim se declarar todo e lhe deixar partir bruscamente. Não. Fique.

-Ele ficou.-

Finais felizes tem sempre um final.
Eu não me permito a um final, deixe acontecer naturalmente, dê tempo ao tempo. Respeite o espaço do outro.
Não quer dizer que ela viria a se apaixonar por ele assim, de repente , incerto. Não.
Mas se houve a permissão de uma conversa, no mínimo, daí sim tudo pode acontecer. Só Deus sabe agora.
Deixe o processo fluir, sem pressões ou meio termos, talvez eles possam se dar o direito então a um final feliz, mas isso não cabe a mim que relato apenas, cabe a eles.
E de maneira pouco cabível e nada esclarecedora, eu encerro e coloco um ponto final por aqui. Um Adeus
breve.

Amanda Lemos Lages
http://bolgdoano.blogspot.com
lemoslages@hotmail.com
Montes Claros, MG



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Lutar pelo...

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Lutar pelo amor é bom, mas alcançá-lo sem luta é melhor.

William Shakespeare

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Confiança

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Confiei-te um dia
meu destino.,
minha vida.
Dei-te permissão
para que abrisses
todas as portas
de meu ser.
Confiei-te
todos os meus segredos,
esperanças
e os mais secretos
desejos.

Escancarei as janelas
de minha alma,
dando -te
total liberdade de ação.
Vasculhaste-me
os sentimentos
entraste
em meu coração
e, ali, encontraste
escondidos
minhas virtudes
e meus defeitos
em meio
aos sonhos desfeitos,
a amargura
e a desilusão.

Com teu carinho
secaste as lágrimas
que de meus olhos
caíam,
afastaste a tristeza
e a mágoa
que eles refletiam,
devolveste-lhes o brilho
que haviam perdido
e...com ternura
e compreensão,
mergulhaste-me
num mar de amor
e felicidade,
tirando-me da solidão!

Antonia Nery Vanti (Vyrena)
http://sonhandocomvyrena.eu5.org
vyrena@terra.com.br
Porto Alegre/RS



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Parque Nacional de Sooma

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Estônia

terça-feira, 10 de maio de 2011

Aprendi

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Aprendi que sonhar é viver
que amar é sonhar
que o amor é uma sementinha
que germina em nosso coração,
cresce... floresce,
muitas vezes permanece
em outras desaparece,
dando lugar a outros sonhos
a outras sementes
que germinarão,
crescerão e novas flores
desbrocharão.

Aprendi
que os sonhos não morrem,
são permanentes,
apenas adormecem
na alma da gente.

Antonia Nery Vanti (Vyrena)
http://sonhandocomvyrena.eu5.org
vyrena@terra.com.br
Porto Alegre/RS



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Piece Of My Heart (Janis Joplin)

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Dica da Rudiani.
__________
Para sugerir alguma música, envie um e-mail para:
casadopoeta.stgo@gmail.com.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Feira do Livro de Santa Maria

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Os lançamentos dos livros na Feira de Santa Maria foi um sucesso!

Para visualizar todas as fotos, clique aqui.

A Casa do Poeta agradece a todos pelo apoio!

Macaquices na língua portuguesa

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É difícil falar sobre aprovação de leis na semana em que o príncipe William e a plebeia Kate Middleton casaram-se. Realmente, torna-se supérfluo falar de uma lei idiota, quando ouvidos e -principalmente!- olhos estão voltados aos detalhes importantíssimos do casamento do ano. Aliás, do século, da história, da galáxia...

Desligando um pouco a mente da Meca do consumismo e do culto às tradições, ressalto a brilhantíssima ideia do deputado estadual do Rio Grande do Sul, Raul Carrion em votar pela “Abolição dos Estrangeirismos”. Se 1888 foi marcado como o ano da assinatura da Lei Áurea, que aboliu a escravidão, 2011 fixa-se na história gaúcha como o ano em que deixamos de falar mouse e passamos a dizer rato e que saímos do trabalho para fazer uma hora feliz.

“Este projeto de lei nasce da necessidade de resguardar a língua portuguesa da invasão indiscriminada e desnecessária de expressões estrangeiras que possuem equivalentes em nosso idioma”, escancarou Carrion em seu site. Esse mesmo senhor que defende o neocolonialismo linguístico, aprovou em 2008 a Semana Estadual do Hip Hop.

O deputado salientou na defesa do seu projeto que o uso de estrangeirismos é "imposição cultural por macaquice". Então, como ele explica a Semana do Hip Hop, através da Lei 13.043, de 30 de setembro de 2008? Evidencia-se a incoerência no discurso retrógrado do deputado, exigindo que termos estrangeiros, dicionarizados, devam ser traduzidos para o português.

Inevitável não o comparar com Policarpo Quaresma, numa versão contemporânea. Enquanto o personagem desmiolado de Lima Barreto lutou até o fim pelo nacionalismo da língua, Carrion também acredita desoportunadamente que devemos falar o português literário e escorreito, tão inatingível quanto as virgens do ultrarromantismo literário. Essa decisão acéfala, infelizmente, recebeu apoio de um quórum de 26 parlamentares. Os outros 24 deputados utilizaram a massa encefálica e votaram contra.

Ora, se estamos em busca de uma língua nacionalista, por que não falamos o tupi-guarani? Uma vez que o nosso português brasileiro tem origem no português de Portugal, evidencia-se que não estamos, efetivamente, buscando as raízes de nosso povo.

Vou dar algumas sugestões ao parlamentar: poderia acrescentar na lei que aprendêssemos o português de 1500, de quando os portugueses chegaram ao Brasil. Ou o latim, origem da nossa língua. Melhor ainda, poderíamos falar a língua indígena, afinal, foram os índios os primeiros habitantes do Brasil.

Esses palpiteiros que procuram instituir algo para promover-se, deveriam expandir o debate à população. Não tenho dúvida de que se houvesse uma discussão do projeto de lei com a sociedade antes de votá-lo, o resultado não seria a aprovação. Opinar é uma coisa, achismo é outra bem diferente.

É lamentável quando pessoas que não têm formação mínima para opinar sobre um assunto e sequer informam-se acerca do mesmo, profanam tolices como o deputado Carrion. Isso me faz lembrar uma observação da profª Dra. Stella Maris Bortoni-Ricardo, em seu livro “Nós cheguemu na escola, e agora?”. Ela citou um artigo do profº José Carlos Azevedo, Ph.D. em Física, onde ele considerava errada a construção “Toda criança na escola”, adotada como slogan do Ministério da Educação em 2005. Orientava a adoção de “Todas as crianças na escola”.

Stella Maris esclareceu que ambos os empregos estão corretos. Finalizou a análise com uma frase que pode ser perfeitamente estendida ao Sr. Carrion: “[...] convém observar que se os Ph.D's em Física começarem a concluir entre seus misteres o de dirimirem dúvidas no uso do português, o governo brasileiro pode começar a economizar os recursos que despende para formar Ph.D's em Letras e Linguística”. Não se trata de “macaquice”, como relatou Carrion, e sim, de cada macaco no seu galho.


Giovani Roehrs Gelati
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Uruguaiana, RS





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Meu canto

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A ti dedico meu mavioso e amoroso canto
Não! Não desejo teu aplauso, tuas palmas!
Desejo, isto sim, ser teu maior encanto
E que se unam, para sempre nossas almas!

Coloquemos de lado medos e traumas,
Ocultemo-nos sob o manto do amor.
Sigamos de mãos dadas por estradas calmas,
Onde não existam sofrimento e dor.

Sem tua mão na minha, sinto-me perdida,
Nada mais , para mim, tem valor na vida
Sem ti, até aqui chegar, não sei como pude!

És de meu caminho incerto a maior ventura.
Entendo... pode até parecer loucura,
Mas só contigo, encontro da vida a plenitude!

Antonia Nery Vanti (Vyrena)
http://sonhandocomvyrena.eu5.org
vyrena@terra.com.br
Porto Alegre/RS



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Cada qual...

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Cada qual sabe amar a seu modo; o modo, pouco importa; o essencial é que saiba amar.

Machado de Assis

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Limosa fedoa

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Ave da família Scolopacidae.
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