quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Kiss e o beijo da morte

0 comentários
Acordei com a notícia. Fiquei nervoso até saber que todos os conhecidos que poderiam estar lá estavam bem. Lá na Boate Kiss. Boate Beijo. E na madrugada deste 27 de janeiro, a morte beijou 236 jovens e milhares de familiares e amigos.

A morte costuma espreitar seu beijo fatal nas festas noturnas em todo o Brasil, não só em Santa Maria, local onde ocorreu a tragédia com os 236 jovens. Porque não é difícil encontrarmos casas noturnas atabalhoadas de pessoas, muito além da capacidade. O lucro parece ser bem mais importante. Geralmente são lugares fáceis de entrar e difíceis de sair, com saídas de emergência insuficientes e mal iluminadas.

Quando a tragédia ocorreu numa mina chilena em 2010, compadecemo-nos, mas tudo é muito longe, não sensibiliza tanto. Quando a boate argentina também pegou fogo em 2004 e matou 194 pessoas, pensamos que nem conhecemos Buenos Aires e o drama não tem tanto sentido. Mas quando o beijo mortal aproxima-se de nós, primeiro não acreditamos, depois nos desesperamos e então procuramos conhecidos.

Mortes em massa já ocorreram em igrejas, prédios residenciais, escolas e estádios. Depois de apurados os fatos, normalmente se verifica que a tragédia ocorreu devido à inoperância do poder público e negligência dos gestores do local. Não caiamos na armadilha de achar que é acidente. Acidente é quando não se pode evitar. Bem diferente do nosso mais novo drama.
Com o passar dos dias, as informações irão se elucidar e os culpados vão aparecendo. Mas a dor, essa irá demorar para passar. Há beijos que nem sempre fazem bem. O beijo letal da madrugada fez e ainda faz muito mal.

Giovani Roehrs Gelati
http://giovanigelati.blogspot.com
grgletras@gmail.com
Uruguaiana, RS



Se você quiser divulgar neste espaço, envie seu seu trabalho para casadopoeta.stgo@gmail.com com os seguintes dados: nome completo; foto; blog (se tiver); e-mail para contato e cidade/estado.

ATENÇÃO: A Casa do Poeta de Santiago não se responsabiliza pelo conteúdo dos artigos ou pelas idéias expressadas por estes. Os artigos publicados neste espaço são de inteira responsabilidade dos seus respectivos autores, e expressam as idéias pessoais dos mesmos.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Feira de Adoção de Filhotes

0 comentários
Para mais informações, acesse http://acpasantiagors.blogspot.com.br.

Saudação à melhor terra

0 comentários
Quero saudar minha terra
Com humildade e respeito
Querência de homem direito
Onde touro brabo berra
Gado xucro não se encerra
Naquele rincão bendito
No próprio chão foi escrito
Liberdade a quem não erra

Como não sou trovador
Eu vou dizer simplesmente
Se plantar boa semente
Pra todo lugar que for
Tem importante doutor
Tem gaudério topetudo
Terra onde nasce de tudo
Plantando o bem nasce amor

Não quero contar vantagens
Há campos cheios de gado
Lavouras pra todo lado
Não quero falar bobagens
Temos tão lindas paisagens
No melhor lugar do Sul
Por ser o céu tão azul
Até parece miragem

Onde fica esse lugar
Vou cantar neste repente
Terra de índio valente
De china linda pra amar
E não é pra me gabar
Claro, nem tudo é perfeito
Quem não é torto é direito
Mas, isto não vou contar

Terra do meu coração
Lá enterrei meu umbigo
Trago lembranças comigo
Da cachoeira do Pilão
Não há bandido ou ladrão
Que matando vá roubar
As riquezas do meu lugar
Santiago do Boqueirão

No mundo aprendo e ensino
Aqui, nesta terra querida
Onde comecei esta vida
Nasci grosso e voltei fino
Me transformei neste hino
Fazendo versos pra ti
Me sinto um novo guri
Gaúcho Walduí Aquino.


Waldui de Freitas Aquino
aquinosul@gmail.com
http://aquinosul.blogspot.com.br/

Santiago, RS


Se você quiser divulgar neste espaço, envie seu seu trabalho para casadopoeta.stgo@gmail.com com os seguintes dados: nome completo; foto; blog (se tiver); e-mail para contato e cidade/estado.

ATENÇÃO: A Casa do Poeta de Santiago não se responsabiliza pelo conteúdo dos artigos ou pelas idéias expressadas por estes. Os artigos publicados neste espaço são de inteira responsabilidade dos seus respectivos autores, e expressam as idéias pessoais dos mesmos.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O coadjuvante prodígio

0 comentários
Ao passo q minha pele era enrijecida pelo sol escaldante e a pela brisa salgada,sentia minha saúde esvair, já era um ser áspero,uma couraça me cobria.Suspeitava que depois de uma das noites regadas a álcool ( que basicamente tornara se rotina) algum tripulante vil ou simplesmente com um senso de humor cruel tenha trocado meu coração por um réplica esculpida em um osso de cachalote.Minha saúde mental era prejudicada gradualmente, me questionava até quando meu corpo frequentemente alvejado por goles de rum e tragadas de fumaça iria continuar em pé.
Já navegamos sem um propósito ou direção,os deixamos no porto,junto com nosso norte.
Fui acordado bruscamente por um homem gordo,com uma imagem estranhamente gentil,seus olhos fu ndos e avermelhados se escondiam atrás de um sorriso cortês.
-Levanta garoto!
A boca seca,estada mental e minha fraqueza eram somadas ao balanço rítmico da embarcação.
-Chegamos no porto?Questionei com dificuldade.
A tempos não ouvia minha voz, outro timbre,outro ser.Transpirava fraqueza,como diabos cheguei a esse ponto?
-HAHAHA, e achas q alguém aqui ao menos sabe aonde estamos?!
Mesmo a sentença sendo ofertada com tanta gentileza,me caira mal,como um cruzado no estômago.
Desde que cheguei no navio montery,adquiri o hábito de observar o decrépito ritual da desova fecal,ficava hipnotizado ao fitas peixes de alimentando de nossos excrementos ,achava repulsivo,mas após ter presenciado tantas vezes o jogo dos dias,não me sentia tão diferente dos monstros marinhos coprófagos.
Meus plano e boas intenções escoaram pelo ralo,ou melhor, fora lançado ao mar junto com os dejetos.


Guga Mutchal
gugamutchal@bol.com.br
Santiago, RS



Se você quiser divulgar neste espaço, envie seu seu trabalho paracasadopoeta.stgo@gmail.com com os seguintes dados: nome completo; foto; blog (se tiver); e-mail para contato e cidade/estado.

ATENÇÃO: A Casa do Poeta de Santiago não se responsabiliza pelo conteúdo dos artigos ou pelas idéias expressadas por estes. Os artigos publicados neste espaço são de inteira responsabilidade dos seus respectivos autores, e expressam as idéias pessoais dos mesmos.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O Guri arteiro

0 comentários
Na mais pura liberdade
Corria muito contente
Pensando que era gente
Guri de bem pouca idade
Lembrando até dá saudade
Andava por toda parte
Fazendo um pouco de arte
Mas não fazia maldade

Correndo sem ter cuidado
Por mato, campo e lavoura
No meu pingo de vassoura
Tinha a mãe recomendado:
“Tu não pula o aramado
Pois, tem um touro de raça”!
Talvez, por pura pirraça
Eu passei pro outro lado

Com o meu pequeno laço
Reboleando em pleno vento
Laçar o touro eu tento
Porém, sentindo cagaço
“E agora, meu Deus, que faço!”
Estava feita a besteira
Subi num pé de aroeira
Fiquei num baita embaraço

O touro escarvava no chão
Era brabo o bicho macho
Eu só olhava pra baixo
Na difícil situação
Aroeira dá comichão
Comecei sentir coceira
Meu pai, longe, na mangueira
No seu ofício de peão

Fui ficando apavorado
Por não passar um vivente
Fui guri desobediente
Quando passei o cercado
Já de fundilho molhado
Então lembrei de rezar
Para o sufoco passar
Prometi ser comportado

Couro e pele toda ardida
Já passando meio-dia
Eu de barriga vazia
Gritava: “mamãe querida”!
Parecendo causa perdida
Todo cheio de ai-ai-ais
Surgiram então os meus pais
Que me orientaram na vida.

Waldui de Freitas Aquino
aquinosul@gmail.com
http://aquinosul.blogspot.com.br/

Santiago, RS

Se você quiser divulgar neste espaço, envie seu seu trabalho paracasadopoeta.stgo@gmail.com com os seguintes dados: nome completo; foto; blog (se tiver); e-mail para contato e cidade/estado.

ATENÇÃO: A Casa do Poeta de Santiago não se responsabiliza pelo conteúdo dos artigos ou pelas idéias expressadas por estes. Os artigos publicados neste espaço são de inteira responsabilidade dos seus respectivos autores, e expressam as idéias pessoais dos mesmos.

O filho bastardo de Nantucket

0 comentários
Já fazem três anos q ando a deriva por esses mares.
Comecei de uma forma impulsiva, pegando carona em um grande e pesado navio.
Passei quase um ano como um clandestino ,vivendo de batatas e bebidas q roubava a noite no convés. A tripulação desse gigante dinossauro de madeira ,era composta de jovens marujos com pouca experiência e não muito acostumados com a vida errante do infinito horizonte azul.
Quando fui acordado pelo tranco e tive a certeza q estávamos ancorados,resolvi descer no porto e me incluir em o utro navio,desta vez não como um passageiro entre as sombras e barris no porão úmido,mas como um marujo disposto a dar duro para conseguir um estadia plena e mais confortável.
Lá estava eu ,com meus pés sobre o navio pescador Montery. As coisas não correram como previa,nas primeiras semanas conheci o primeiro imediato e pude ter noção de como funcionava aquela maquina preguiçosa e pouco saudável. Ian era um homem com aparência velha, agressiva e rancorosa, talvez um ser endurecido por tantos anos no montery.

Guga Mutchal
gugamutchal@bol.com.br
Santiago, RS



Se você quiser divulgar neste espaço, envie seu seu trabalho paracasadopoeta.stgo@gmail.com com os seguintes dados: nome completo; foto; blog (se tiver); e-mail para contato e cidade/estado.

ATENÇÃO: A Casa do Poeta de Santiago não se responsabiliza pelo conteúdo dos artigos ou pelas idéias expressadas por estes. Os artigos publicados neste espaço são de inteira responsabilidade dos seus respectivos autores, e expressam as idéias pessoais dos mesmos.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...