segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Ziel

Vivo a andarilhar por esse deserto de matéria inerte desprovido de vida assim como eu. Tento em vão encontrar um ombro que me permita repousar a cabeça e descansar por breves instantes, nada encontro além do vazio esse que me engole e entorpece no decorrer dos dias.  A tanto tempo perambulo por estes vales sombrios da solidão, as vezes escuto gritos, me dá medo, são sempre estridentes, desesperados. Olho para os lados, nada vejo além da minha própria sombra opaca projetada sob o solo árido. 

Essa terra inabitada, meu lar, costumo chamar de morta, visto que nada cresce ou floresce. Terra morta é rodeada de pântanos e aqui nunca á dias de sol, prevalece apenas o inverno e o escuro sem fim. Terra morta é mãe dos rejeitados e abandonados pela vida. Aqueles que sobrevivem a terra, jamais serão os mesmos, a dor da ferida aberta, jamais cessa perseguindo seus filhos até o gélido sussurro da morte. Ontem quando uma estrela caiu, meu desejo foi conseguir chorar, agora as lagrimas que caem umedecem minha boca seca revelando assim que os gritos que eu tanto temia eram da minha alma sucumbindo por falta de amor.




* Para saber como divulgar seus textos no blog da Casa do Poeta de Santiago clique aqui. *

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...