segunda-feira, 1 de abril de 2013

No tempo dos uniformes

Diariamente tomamos conhecimento através imprensa, de como a violência esta se proliferando rapidamente dentre algumas escolas, principalmente as de segundo grau, tanto públicas como particulares.  É aluno portando arma, professores sendo  desrespeitados, uso de drogas, os “bondes”, um sem fim de barbáries. E sempre surgindo uma “moda” nova, a atual, importada dos americanos: o “BULLING”. Assim chamada, poderemos tratá-la como se estivéssemos no primeiro mundo.
Mas não é disso que quero falar.
Em minha cidade natal, Santiago – RS, na década de 50, entre todas as escolas do município, duas se destacavam: a ESCOLA NORMAL NOSSA SENHORA MEDIANEIRA e o GINÁSIO ESTADUAL CRISTÓVÃO PEREIRA, grandes rivais nos desfiles de 7 de Setembro. Qual seria a melhor banda?  Quem sairia vencedor do desfile daquele ano? E não passava disso a discordância entre a estudantada.
A Escola Normal até hoje é administrada por freiras, e continua localizada no mesmo lugar. Quanto ao Ginásio Estadual foi transferido, sendo construído um novo em outro local da cidade. Quando da antiga localização do Cristóvão Pereira era praticamente “obrigatória” a passagem, de mais da metade dos estudantes, de ambos os educandários, pelo meio da Praça Getúlio Vargas. Imaginem um L, na perna maior, a quatro quadras de distância de uma das  esquinas do logradouro, esta situada a escola Normal, na direção da perna menor localizava-se o antigo Ginásio.
Em todo o largo, margeando os canteiros e sobre um calçamento estilo “Copacabana”, estão até hoje colocados inúmeros bancos.
Naquela época era obrigatório o uso de uniforme nas instituições de ensino, o das meninas, era assim: Colégio das Freiras- blusa branca listrada de azul, saia azul-marinho, meias brancas e SAPATOS pretos. Cristóvão Pereira - blusa branca, saia cáqui, SAPATOS pretos  e meias brancas.
A gurizada ficava estrategicamente sentada, esperando a passagem das alunas, normalmente vinham em grupos de cinco ou seis amigas, todas elas no maior papo, alguns sussurros e olhares esguios, mas ao confrontarem-se com o pessoal dos bancos, quase sempre um deles falava alto:
-A MAIS BONITA É A DE SAPATO BRANCO!!!
Nunca falhava, sempre uma ou duas dirigiam um rápido olhar para os pés.
 Bons tempos aqueles.

Paulo Walmir Assunção Vargas
pwargas@hotmail.com
São Leopoldo - RS




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