domingo, 4 de março de 2012

O sétimo dia

O vento que sussurrava por entre as folhas, batia insistentemente contra os vidros da janela e atropelava os pássaros em fuga era como a voz da noite, que aprendeu a despertar medo nos homens. Atrás dos grandes mamíferos o lobo se espalhou, e sobre este mundo caminharam ditadores heróis e heróis ditadores.
Os clarões que afogavam a escuridão anunciavam a destruição em prol do início de uma nova era, e nos trovões eu ouvia histórias de bruxas queimadas na fogueira da religião. Os filhos caminham sobre os ossos de seus pais, que tiveram a carne podre devorada pelos vermes dos próprios intestinos.

Raios são incríveis. Energia caindo do céu - rachaduras rompendo a barreira do som. Eu imaginava como era este chão quando ainda não havia nada sobre ele. Minhas mãos se estendiam para as gotas de chuva, que eram como as lágrimas frias de Deus abençoando o mundo parricida no sétimo dia.

Luciana Nogueira
http://anjoshistericos.blogspot.com
hysteric.angel@hotmail.com
Santos, SP



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