quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Sobre ele

Tem sido bonita essa minha vivência. Cultivar as flores, exaltar e destacar o azul do céu, observar melhor os detalhes tem me direcionado a um caminho muito charmoso agora. E o quanto eu amo tudo isso, ninguém tem ideia. O quanto me parte o coração ter que me separar disso tudo, vezequando, arde bastante, mas o que realmente compensa é o estado que eu fico quando a minha vida de agora passa por um triz pelos meus pêlos e arrepia cada parte nua do meu corpo. Aí eu abro meus olhos e cenas do meu passado começam a se transcreverem nas minhas pálpebras. Eu fico asmática. Os meus pulmões param de funcionar e eu perco o chão. Meu coração fica na mão. Então eu durmo novamente. Os sonhos são tão belos que confundo com a realidade. E acredito nessa realidade, por medo de quando acordar voltar ao passado. Tantas vezes tentei justificar os meus anseios, esquecer dos meus delírios e simplesmente olhar para frente, sem sequer pensar no ontem e tampouco temer o futuro. Nas minhas inúmeras tentativas eu sempre coloquei a frente todas as razões para que eu sinta vontade de encher os meus pulmões de ar e liberá-los constantemente. E colocar a frente o que subjetivamente é o teu maior ponto fraco não seria uma atitude inteligente, pois requer de muita autoconfiança e, principalmente, confiança no outro. Pensar em possibilidades ou pressupostos me deixa louca, porque, mais uma vez, estando a frente do meu maior ponto fraco, qualquer possibilidade seria - para mim - completamente inatingível e impossível, se não for boa. Devo admitir que as ações sirvam para dar vazão ao que tu escreves, mesmo que não tenha sentido para os remetentes desconhecidos. Mas isso me assusta um pouco, porque eu tenho medo de querer dar vazão a algumas coisas que eu escrevo por aqui. Falar do passado não me causa mal algum, pelo contrário, faz eu me sentir aliviada e livre. O que eu realmente temo é voltar a vivê-lo sem perceber. Se fui idiota de não tê-lo percebido presente uma vez, por que não seria outra e outra e outra? Embora eu soubesse disso tudo, tem-me sido bom viver, tem-me sido boa essa vivência.

Fernanda Fávero Alberti
http://poeta-de-privada.blogspot.com
fernanda.lbrt@gmail.com
Santiago, RS



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Um comentário:

Roberto disse...

Falo aqui a respeito de seu texto abaixo colocado e que faz parte do site Casa do Poeta de Santiago. Não pude deixar de comentar contigo sobre esse texto porque o tenho vivido durante alguns momentos em minha vida. Na noite passada mesmo eu tive um desses sonhos que, ao acordar, me vi querendo votar a dormir, de maneira a dar continuidade aqueles bons momentos que havia vivido. Sim, você retratou uma realidade que existe mesmo, não só em relação aos sonhos mas também a respeito de nossa forma de ser. E pelo que percebi, não estou sozinho agindo do modo como se retratou em sua vivencia. Creio que pertençamos a um grupo de pessoas que estejam um pouco além do atual "modus vivendi" da população como um todo, e isso nos torna mais ligados às sutilezas da vida.

Obrigado por me ouvir. Seja Feliz

Roberto Luiz Pereira de Souza
Rio de Janeiro

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