sexta-feira, 1 de abril de 2011

Nos recaus da poesia

No abrigo deste galpão,
Vou tragando inspiração
Na fumaça da madeira.
A cambona chiadeira,
Se aquece sobre o tição
E eu cevo um bom chimarrão,
Com esta erva da Palmeira.

Vem chegando o mês de agosto,
Trazendo o vento no rosto,
Lá das bandas orientais.
Vai sapecar os hervais
E enrugar beiço e garrão,
Do meu flete redomão,
Que é bagual entre os baguais.

Já, separei da eguada,
Pois, tinha a crina esfiapada,
De trotear de encontro ao vento.
Cumprindo seu mandamento,
De selvagem natureza
E é minha maior riqueza,
Nos itens do testamento.

Vou tomar meu chimarrão,
Perto do fogo de chão,
Onde a friagem se amena.
E dar de mão numa pena,
Pra ir rabiscando um verso,
Pois, usando esse processo,
Eu nunca fujo do tema.

E nem começo com broma,
Se é sobre cuia e cambona,
Que o mote trouxe à porfia.
Mas, se me falta fantasia,
Quando é assunto amarrado.
O meu verso fica ajoujado,
Nos recaus da poesia.

Falar de cuia e cambona,
Que rima com cordeona,
Com doma e com redomona
E outras cositas mas.
Sinto que não sou capaz,
De bolear mais uma rima,
Então, ergo a cuia pra cima
E faço um brinde à paz!

Clodinei Silveira Machado
silveiraselva@ibest.com.br
Santo Ângelo, RS



Se você quiser divulgar neste espaço, envie seu seu trabalho para casadopoeta.stgo@gmail.com com os seguintes dados: nome completo; foto; blog (se tiver); e-mail para contato e cidade/estado.

ATENÇÃO: A Casa do Poeta de Santiago não se responsabiliza pelo conteúdo dos artigos ou pelas idéias expressadas por estes. Os artigos publicados neste espaço são de inteira responsabilidade dos seus respectivos autores, e expressam as idéias pessoais dos mesmos.

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...