Ah... quanta saudade daqueles bons tempos, que se perderam pelos caminhos por onde a vida passou! Hoje, pelas frestas do pensamento, escapam lentamente, trazendo recordações. Quisera ver outra vez o vento forte, balançando os galhos da mangueira que se debruçava, curiosa, sobre a janela de meu quarto de criança, levando-me a tremer de medo, imaginando assombração! Quisera ouvir, novamente, o barulho da chuva grossa, batendo forte na vidraça numa monotonia sem fim, enquanto eu, admirada, assistia os pingos encherem as poças que se formavam no jardim! Quisera poder, ainda, espreitar pela janela de meu quartinho apertado, a lua, radiante e bela, no céu cheinho de estrelas, parecendo um lençol bordado. Quisera andar pelos campos ainda úmidos de orvalho, com os pés livres,descalços como tantas vezes andei, sem temor pela violência que hoje ronda nossos passos, sem m'importar com os espinhos que na pele espetei. Quisera voltar no tempo, quisera não ter crescido, ser criança eternamente...