quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Desejável Imperfeição

Ah, como eu queria, como eu queria ser boêmio e deixar o cabelo comprido. Beber insaciavelmente o absinto e não pensar nas conseqüências de minha própria vida.
Ah, como eu queria ser o bêbado daquela música, trajando luto e lembrando Carlitos. Ficar na praça à deriva, monologando meus problemas.
Ah, como eu queria não gostar do bom gosto, não gostar do bom senso, não gostar dos bons modos, não gostar. Ser rude sem culpa, ser grosseiro sem preocupação.
Ah, como eu queria ser Fortunato, de Machado de Assis, e torturar aquele rato maldito sem piedade. Sentir seu sangue escorrer junto de minha felicidade.
Ah, como eu queria ser cruel e apagar a punhaladas quem me machucou inteiramente. Quebrar os seus sonhos e riscar sua memória.
Ah, como eu queria ser apático e vazio, ser um nada. Não reagir, nem sentir quaisquer tristezas que estivessem em meu coração.
Ah, como eu queria, como eu queria partir sem deixar rastros, recomeçar o que nunca pude e terminar o que sempre ansiei.

Ettore Stefani de Medeiros
http://ettorestefani.blogspot.com
Santa Maria, RS



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Um comentário:

Vyrena disse...

Oi

Muito interessante o que você escreveu. Amei...amei. Eu também queria que isso acontecesse comigo. A vida muitas vezes é cruel demais.
Parabéns, continue nos encantando com seu escritos.
Vyrena

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