segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Não dê o lado à mesquinhez

Aprendi com um professor de basquete que no jogo não se pode dar o lado para o adversário, sob a pena de cometer uma falta ou deixá-lo passar e realizar a cesta. E depois de cinco faltas, o outro time tem o direito a arremessos livres, independente do local da falta. Ela é dura, mas tem o mérito de condicionar o jogo a um número inexpressivo de faltas. Esse mesmo professor falou que para não deixar o oponente passar pela marcação, deve-se dar uma passada lateral rápida, de modo que você fique de frente para ele. Caso estiver com apenas parte do corpo interferindo na passagem, marque-se falta!
Lembrei-me logo dessa situação quando uma amiga contou-me que tentava estagiar numa escola e precisava dos horários que uma colega também faria o estágio naquela escola, para não serem os mesmos horários nem nas mesmas datas. Havia mais complicações ainda: estava entrando em férias exatamente para fazer o dito estágio. Sem a definição dos horários da colega, prejudicava o início das férias, incerto ainda devido a esse infortúnio. Percebeu que isso era má vontade da companheira porque esta desejava que outra colega de classe estagiasse naquela escola. Nesse contexto, mostrava-se insensível com o drama dessa minha amiga. Prejudicava-a simplesmente porque queria que outra ocupasse o seu lugar. Muita mesquinharia. Outro colega aconselhou: conversa com a diretora, já define os teus dias e deixe que ela arrume o horário de acordo com os teus. Não queria fazer aquilo, porque achava que poderia prejudicá-la de alguma forma, forçando-a a arrumar o seu horário, uma vez que a colega também trabalhava.
Quando me relatou o acontecido, logo associei ao treinamento de basquete. Chulamente, é a mesma coisa: dar uma passada lateral para osbtruir a passagem do adversário não é falta, uma vez que você está sendo mais rápido que ele, está jogando de acordo com as regras, não faz falta e o adversário comunga das mesmas regras do jogo; é a mesma coisa que procurar a autoridade de direito para acelerar um processo que está sendo retardado por outrem que tem o intuito apenas de prejudicar. Você não estará prejudicando a outra pessoa, e sim, apenas indo em busca dos seus direitos. Lógico que num jogo uma equipe tenta prevalecer perante a outra e na vida profissional, ao menos deveria ser assim, os dois profissionais podem convivem pacificamente concomitantes.
É desejo de todo o mundo crescer na vida, ser feliz, alcançar os seus objetivos, ter o seu trabalho reconhecido. E isso só se conquista com o esforço individual, com o seu sacrifício. Para algumas metas o caminho a ser galgado é mais tranquilo. Para outras conquistas é mais inclinado, tem mais pedras, diversos desvios e contornos a serem adotados. E muitas vezes o sucesso trava frente as nossas limitações, a outras pessoas que são indesejavelmente inoportunas ou mesmo ao pouco esforço ensejado na busca pelo objetivo.
Não é preciso que mesquinharias permeiem nossas atitudes. Não precisamos derrubar outro colega de trabalho para conquistarmos o nosso espaço. Se temos competência, haverá lugar ao sol. Caso contrário, nem um suposto “concorrente” fora do páreo manterá nossa vaga. Que haja reconhecimento por nossos méritos, não porque fomos os únicos que sobramos.
Pessoas assim, individualistas, não faltam por aí. No mercado de trabalho encontramos aos montes, disfarçadas como colegas, amigos, chefes e empregados. Dar o lado no basquete é deixar que o adversário faça uma cesta. Na vida cotidiana, é assumir postura submissa, deixar que os outros lhe prejudiquem e você não fazer nada para reaver a situação. Buscar nosso espaço, dentro da legitimidade das regras básicas que o convívio impõe é uma obrigação. E se outra pessoa prejudica-nos, defender-se com as armas que estão à disposição é a melhor feita. Ainda mais se o que se está buscando é o eticamente mais correto.

Giovani Roehrs Gelati
http://giovanigelati.blogspot.com
grgletras@gmail.com
Uruguaiana, RS





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