terça-feira, 21 de setembro de 2010

A dor de uma traição

Não era exatamente um abraço que ela queria.

Apesar de ser casada, Joana sentia uma forte atração por seu mais novo amigo, Guilherme, um homem que começara trabalhar há pouco tempo na mesma empresa que ela trabalhava.

Na primeira festa juntos, ela recebeu apenas um abraço. Irada ela tomou um porre pra afogar a mágoa de não ter seu atual desejo realizado. Ao fim da festa mais um dos vários e simples abraços novamente.

- "Mas que Droga! Será que ele não percebeu em mim?" - pensava Joana em lágrimas. Então saiu com os pés descalços pela rua fria, na noite escura com o pensamento firmado em sua nova ilusão.

Quando Joana chegou em casa, bêbada, toda suja e cheirando a wisk e cigarro, Diego, seu marido se apavorou, pois ela nunca tinha aprontado façanha tão grande.

- "O que as pessoas vão pensar? O que os vizinhos irão dizer? Com que cara eu vou olhar para os outros com uma esposa que chega de madrugada em casa e por cima bêbada?" - perguntava Diego para Joana aos berros, tomado pela fúria, enquanto dava um banho de água fria nela.

No dia seguinte, Joana, com uma senhora dor de cabeça, teve que ir trabalhar, arrasada com a derrota do dia anterior com Guilherme.

Chegando na empresa, Antônia, sua melhor amiga lá dentro lhe conta que Maria Eugênia, a faxineira foi demitida e que naquela noite haveria uma festa de despedida com todos os funcionários e empregados da firma.

Joana disse que estava muito cansada e com muita dor de cabeça e que não iria a tal festa. Pouco tempo depois, houve um estalo na cabeça de Joana:

- "Essa é a chance da minha vida, se eu não for a essa festa talvez eu não tenha meu amor... Nunca mais!" - pensou Joana ao mesmo tempo que virou para Antônia e perguntou:

- "Tonia, você sabe se o Guilherme vai à festa?"

- Vai sim, ora se ele vai perder essa festa, você está louca?' - respondeu Antônia afastando-se de Joana pois já encerrado seu horário.

A cada segundo que se passava, Joana tinha mais certeza de que gostava profundamente de Guilherme e agora ela já sabia o que tinha de fazer.

Quando encerrou seu horário na empresa, Joana foi rapidamente pra casa deixando de lado as vitrines e promoções do shopping, pegou uma mala e colocou nela todas as suas roupas e colocou pela janela para o lado de fora e escreveu uma carta para Diego, dizendo que estava saindo de casa pois acabara de conhecer o verdadeiro amor de sua vida. E também dizia que ela fora muito feliz nos cinco anos de casamento e que nunca esquecerá dele.

Feito isso, arrumou-se para a festa, pôs a carta na geladeira, foi até a porta, olhou para traz, fechou os olhos e saiu.

Pegou a mala e foi para um hotel, deixando lá suas roupas para poder ir a festa.

Chegou a festa e lá estava seu amado Guilherme e, quando se abraçaram ela sussurrou no seu ouvido:

- "Hoje você será presenteado e será inesquecível"

Guilherme não entendeu muito bem mas deu bolas, porém eles trocaram olhares a noite inteira.

Quando ele foi para fora do salão, discretamente ela foi atrás e lá, ela chegou de um geito tão atraente e envolvente que ele acabou sendo seduzido pela moça e se dirigiram para o hotel.

Pouco tempo depois eles chegaram no hotel e entraram no quarto que Joana havia alugado e começaram a se beijar num clima ardente, quando Guilherme falou:

- "Joana, você é muito legal, eu gosto muito de você mas você precisa saber que eu..."

- "PSHHH... - interrompeu Joana - não fala... não fala nada, apenas sinta"

E passaram a noite inteira daquela maneira, se amando como se fossem os únicos a existirem naquela noite, até que adormeceram.

No dia seguinte, ao acordar-se, Joana levou um susto ao tentar abraçar Guilherme na cama sentindo apenas sua ausência.

Joana ficou assustada, pois era domingo e não tinham de ir trabalhar, então ela começou o chamar por Guilherme e a correr por todos os lados do quarto quando seus olhos viram uma folha branca destacar-se numa mesa redonda de cor preta.

Joana pegou aquela temida folha e começou a ler, até parecia que ela estava escutando a voz grave e rouca de Guilherme, que estava escrito o seguinte:

" Querida Joana, desculpe-me mas eu vi o seu diario e acabei lendo, e eu não sabia que você gostava tanto de mim e ainda estou confuso e assustado pela loucura que você fez por minha causa, mas eu tentei te avisar ontem que eu sou casado com Maria Eugênia mas você não me deixou terminar de falar e agora estou indo embora junto com minha mulher para a cidade natal dela. Sei que deve estar sendo difícil para você acreditar e suportar isso mas eu não tenho escolha, eu amo muito a minha esposa e não queria traí-la, mas se você quizer me ver pela última vez venha ao aeroporto que meu avião sairá as 15 horas. Beijos e abraços do seu amigo e colega Guilherme."

Ao terminar de ler, Joana estava num estado que já não tinha força para piscar os olhos e, ela já tinha perdido as contas de quantas vezes teve de interromper a leitura pois a tristeza e as incontroláveis lágrimas que insistiam em rolar no seu rosto através da sua alma.

Então ela jogou-se na cama, abraçou o travesseiro de Guilherme com toda a sua força e chorou, mas chorou tanto que já não conseguia quase nem enchergar. Aos poucos foi criando forças para se levantar, vestir-se e ir até o aeroporto para dar o último adeus ao seu amado.

Chegando lá, ela não teve coragem e nem força o suficiente para se aproximar dele e ficou olhando pelo vidro ainda em lágrima a dor da despedida e do nunca mais.

Ao que o avião decolou, Joana deu de costas ao vidro e foi andando por aquele infinito corredor, vagando sozinha, acompanhada apenas da solidão pela escura e inevitável estrada da vida.

Andrei Lopes
andrey.rl@hotmail.com

http://andreilopes.blogspot.com
Santiago, RS




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Um comentário:

Rose disse...

Parabéns pelo texto, e saber que essas historias por vezes são realidades a nossa volta!

Abraço andrei!

Rose Antunes
http://desabafodeantunes.blogspot.com

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