terça-feira, 15 de junho de 2010

Celebrare

O sol caiu ao longe no horizonte, e os olhos do fidalgo cortês pousaram sobre a cruz. Adiante ele caminha para o sepulcro onde jaz a alma de sua dama. Seu coração anseia pelas memórias póstumas da amada, mas a solidão é tão negra que só o deixa enxergar a morte. O fidalgo cortês aguarda as meia-noite's para despejar sua amargura sobre o túmulo, a dor montada em seu ombro chora suas lágrimas em pêsame.
Não existem mais dias para ele viver, mas estar sempre em prol de seus próprios distúrbios em retalho. Sua felicidade foi enterrada junta com o amor, e pelos seus olhos caminham escuros poços de tristeza como estandartes para declarar a sua tragédia pessoal. Pelas noites, sozinho ele caminha, com o machado por sombre o ombro para desenterrar da cova o corpo que teve em seus braços. Para tomá-la novamente num abraço de amor e morte.
Ter nas mãos os braços frios dela, que antes eram instrumentos de elegância feitiço. O fidalgo cortês amenisa sua dor com este ritual macabro de abraçar sua esposa morta, como para unir mais o laço sombrio que os mantém juntos no espaço incompreensível das trevas. Ele vaga solitário pelas terras mais afastadas, procurando a morte para que assim possa se deitar eternamente. Mas o fidalgo é um anjo que a noite patenteou...
Figura moldada à escuridão, já pertence à tristeza e às noites sombrias vindas do acaso. Ele está preso à vida, e não há morte alguma que o arraste para o escuro. Ele não consegue morrer para se juntar à ela... está fadado à celebrar eternamente sua viuvez.

Ariane Menezes Santos
http://palavrasescarlate.blogspot.com
arianepirraia@hotmail.com
Caruaru, PE



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