segunda-feira, 11 de julho de 2011

Arte 2.0 (ou da arte de produzir cultura nas margens…)

Postagem retirada do blog de Breno Serafini (http://www.brenoserafini.com.br):

É o que sempre digo, quem produz cultura nas margens cria o seu próprio centro, de descentrado a autorreferenciado. E em tempos de rede, quem precisa de centro? Agora, com ou sem rede, arte é arte, arte sempre vai ser relevante… Dedico esta postagem ao pessoal da Casa do Poeta de Santiago Caio Fernando Abreu (http://casadopoetadesantiago.blogspot.com). Um abração a eles…

Cansados de ter que ultrapassar a fronteira regional para ver a arte acontecer ao vivo, um grupo de jovens decidiu agir por conta própria. Se a cultura não vem, eles decidiram que não é fora daqui que vão buscá-la, mas é aqui que irão construí-la. É o norte do Coletivo Marte, que reúne pelo menos 12 pessoas com gostos diferentes e um interesse em comum.

Todos têm trabalho paralelo e um quê de artista. Alguns tocam em banda, outros escrevem ou pintam. A web é a forma que encontraram para conseguir trocar informações e ideias. A maioria das reuniões acontece on-line.

“Queremos trazer o circuito cultural para mais perto. Ao invés de reclamar, estamos fazendo alguma coisa. Trabalhamos de aresta cultural, servindo público, artista e espaço”, conta a designer Mariana Lúcio, do núcleo de artes do Coletivo.

“Planejamos inverter o fluxo migratório, não queremos achar coisas interessantes só em São Paulo. Não temos sede, queremos passar por todos os lugares e chamar todos os tipos de público e artistas para se juntarem a nós”, conta o músico Yuri Braga.

Cada um é responsável por fomentar uma área. Ao todo o projeto conta com repartições em música, artes, design, audiovisual, fotografia, moda e literatura. Eles se organizam em núcleos de comunicação, produção e arte.

“A proposta é a transversalidade, reunir o máximo de linguagens e ser itinerante, para levar público ao pontos culturais da região”, conta Rafael Silva, produtor.

O trabalho desemboca nas festas que são realizadas mensalmente. Geralmente, acontecem no Cidadão do Mundo, em São Caetano, no Gambalaia ou no Tupinikim, ambos em Santo André.

Bandas de outros estados e grupos da região, nas festas, dividem espaço com artistas plásticos, instalações de arte e bazar de roupas feitas por estilistas em contato com o grupo. Em parceria com o Circuito Fora do Eixo, faz o intercâmbio entre artistas de todas as partes do Brasil.

“As bandas são ligadas ao Circuito. Eles se acionam e entram em contato com o máximo de coletivos possíveis, para que todos os grupos que viajam façam o máximo de shows e não percam a viagem. As bandas acabam dormindo nas casas dos integrantes dos coletivos. É gente que não quer conforto e dinheiro, mas um espaço para tocar e ganhar fãs”, diz Mariana, que acrescenta que uma das bandas regionais do coletivo foi convidada a ir para Recife: “Eles ofereceram a passagem e um sofá.”

Entre os grupos que já vieram para a festa chamada Noite Fora do Eixo estão o cearense Fóssil e o potiguar Camarones Orquestra Guitarrística. A próxima atração, no dia 16, no Tupinikim é a MC Lurdez da Luz e o DJ argentino Lenni.

“Já intercambiamos com mais de 200 artistas. Nosso site (www.coletivomarte.com.br) tem mais de 4.000 acessos diários”, revela Mariana.

“As pessoas de cultura têm medo de se mostrar, não valorizam seu trabalho nem são valorizadas aqui na região. Todos acreditávamos que era assim, até descobrirmos que as coisas podem acontecer. E acontecem”, acredita Silva.

(Thiago Mariano)

Pescado do Diário do Grande ABC.

Mais informações no blog dos caras: http://coletivomarte.wordpress.com

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