sexta-feira, 17 de junho de 2011

O mascate

Amigos, peço um aparte
Para falar de um vendedor que era chamado mascate!

Estava na sombra do rancho
De poncho, bombacha e cabungo
Quando chegou o giramundo
Vendendo as suas miudezas

Levantei-me com destreza
E acalmei a cuscarada
Fui dando uma cusparada
No fumo do meu palheiro
E de um jeito hospitaleiro
Dei buenas para o mascate
E servi quente e ligeiro
Um bueno e gaúcho mate

Deixei longe o Bacamarte
Ao se aproximar o moço
Sua beca era um colosso
E era fino o linguajar
Fez-me um verso rimado
Que me deixou embasbacado
Dizendo que era mascate
E ao contrario do atacado
Era vendedor varejista
Vendia de tudo um pouco
Mas que não pedisse fiado
Porque só vendia à vista

Oiga! vi que era vigarista
E deixei à mostra a xerenga
Pois, não sou de lenga-lenga
E não dei mais chimarrão
Mostrou-me a seda de luxo
Tinha até Amor gaúcho
Meu perfume domingueiro
Que eu comprei lá no bolicho
Tinha jóias e anáguas
E me pediu um copo d'água
Com saliva e ladainha
E a minha véia lá da cozinha
Me levantou a peteca
_Tu tá brigando com quem?
E eu disse se acalma, bem
_Tô só ralhando... um guaipeca!

Clodinei Silveira Machado
silveiraselva@ibest.com.br
Santo Ângelo, RS



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